quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Motoboys planejam greve contra multas

Conselho de trânsito nega novo adiamento da lei e, a partir de hoje, moto irregular pode ser multada

FILIPE SANSONE
filipe.sansone@diariosp.com.br

Em reunião realizada nesta quarta-feira, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) decidiu que não há amparo legal para adiar mais uma vez a entrada em vigor das novas exigências para os motoboys. Com isso, o Detran-SP tem a autonomia para determinar que os motofretistas já passem a ser multados a partir de nesta quinta-feira. O Sindimoto-SP (Sindicato dos Motoboys de São Paulo) garantiu que, se motociclistas começarem a ser multados, a categoria vai fazer protestos ainda maiores do que os já realizados, travando a cidade, e até greve.

Um protesto nacional contra a imposição das medidas é articulado para a próxima quarta-feira, segundo o presidente Sindimoto-SP, Gilberto Almeida dos Santos, o Gil. Nesta quinta haverá uma reunião entre o Detran-SP, o sindicato e outros órgãos governamentais para definir se, em São Paulo, as multas vão começar a ser aplicadas.

Pelas determinações, o motoboy tem de participar de curso de capacitação, usar colete com faixas refletivas, utilizar o corta-pipas e protetor de pernas. Se não atender às normas pode ser multado em R$ 191,54, ter o veículo apreendido e a CNH suspensa. A aplicação de multas tinha sido adiada até esta quarta. A principal alegação do Sindimoto-SP é que não há vagas para todos os motoboys realizarem o curso.

“Tem gente que está com o curso agendado há seis meses”, explica Gil. Segundo o Detran, a capacitação para motofrete é oferecida no estado por 24 unidades do Sest/Senat, 21 CFCs (Centros de Formação de Condutores), além das prefeituras de Franca e São Paulo.

Entretanto, dos 220 mil motoboys da capital, que é a quantidade estimada pelo sindicato na cidade, somente 13 mil fizeram o curso de capacitação. E, dos 500 mil motofretistas em todo o estado, só 23 mil participaram das aulas. O Detran-SP garante que vai disponibilizar mais 20 mil vagas gratuitas para o curso “em breve”.

“Se começarem a multar motoboys, vamos fazer um protesto que vai travar os dois lados da Paulista”, afirma Gil, ao se referir à manifestação organizada pelo sindicato em 5 de fevereiro, que reuniu milhares de motoboys e interrompeu um sentido da via por duas horas.

O presidente do Sindimoto-SP também já entrou em contato com sindicatos de outros estados para organizarem uma mobilização nacional contra a entrada em vigência das novas medidas. Uma greve geral da categoria não está descartada.

Acidentes provocam a internação diária de 55
A Secretaria Estadual de Saúde divulgou nesta quarta levantamento inédito que revela que, somente no ano passado, em média, 55 motociclistas por dia foram internados em hospitais em razão de acidentes nas ruas. O estudo também revelou que, entre 2009 e 2011, o número de motoqueiros mortos em acidentes de trânsito aumentou 18%. Em 2009, morreram no estado 1.479 motociclistas. Em 2011, o número subiu para 1.721. 

Ainda de acordo com o levantamento, o valor gasto pelo governo com a internação dos motoqueiros subiu de R$ 15,4 milhões em 2008 para R$ 27,2 milhões em 2011, o que representa um aumento de 76% no período. Na Grande São Paulo foram internados 7.299 motociclistas em 2008 e 10.674 em 2011.

Na opinião da médica do IOT (Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas) Júlia Greve, esse aumento nos últimos anos se deve a uma soma de fatores. “O aumento da frota de motos, a falta de formação adequada dos motociclistas que leva à imprudência e a falta de políticas públicas de ordenação do fluxo de automóveis e motocicletas são os principais motivos para esse crescimento”, diz a médica.

Júlia ainda explica que o tratamento de traumas complexos e graves causados por um acidente em moto é muito caro. “O SUS é quem paga essa conta. Se houvesse mais políticas de prevenção, o número de traumas causados por acidentes com motocicletas poderia diminuir e o dinheiro poderia ser aplicado para a saúde infantil, por exemplo.”

Solução demanda parcerias
Para o arquiteto e especialista em mobilidade urbana Flamínio Fichmman, se o poder público tomasse algumas medidas relativamente simples, o número de acidentes poderia ser reduzido. “Se a Secretaria Estadual de Saúde realmente estivesse interessada na redução de acidentes, deveria investir para buscar com os órgãos de trânsito uma solução intersecretarial”, afirma. “Também seria interessante que o IC (Instituto de Criminalística), a CET, o SAMU e a Secretaria de Segurança Pública realizassem uma parceria para  fazer uma radiografia da área e dos motivos dos acidentes.”

O que vai ser exigido

DOCUMENTAÇÃO
Tudo começa com o curso preparatório, que tem duração total de 30 horas.

Para fazer o curso, é preciso ter em mãos um monte de documentos, como certidões de Distribuição Criminal e a da Vara de Execuções Criminais.

Para conseguir as certidões, o motoboy precisa ir até os fóruns da Barra Funda (Zona Oeste) ou João Mendes (Centro).

Com os documentos em mãos, o motoboy precisa conseguir uma vaga para fazer o curso.

CURSO
Depois de conseguir a vaga, vem o horário pouco convidativo do curso: das 9h às 12h, de segunda a sexta.

Com o diploma do curso em mãos, vem a hora de renovar a CNH.

NOVA CNH
O motoboy vai ao Detran ou ao Poupatempo e dá entrada na nova CNH.

Depois de pagar R$ 51, em  alguns casos o motoboy espera três dias para receber a nova CNH com o título de “motofretista”.

Passadas as barreiras do curso e da nova CNH, vem a obtenção do Condumoto.

CONDUMOTO
Para dar entrada no documento, é preciso ir ao DTP (Departamento de Transportes Públicos), no Pari.

Depois, é preciso ir ao banco pagar a taxa do Condumoto, que varia de R$ 14 a R$ 28.

Após pagá-la, o motoboy espera no DTP cerca de uma hora para obter o Condumoto.

PLACA
Depois do aval do DTP para a mudança da placa, o motoboy vai ao Detran.

Agora, chegou a vez de mudar a cor da moto para branca.

É preciso ir ao Detran e pedir a troca da documentação da moto. O motoboy pode fazê-lo no mesmo dia em que for emplacar.

NOVOS ITENS
Depois, o motoboy compra um tanque branco ou vai a uma funilaria. Custa em  torno de R$ 150:  70% da moto deve ser branca.

Compra de capacete com faixa refletiva de luz, colete de proteção com faixa refletiva de luz, baú.

Compra do dispositivo de proteção de motor e perna (mata-cachorro).

Compra do aparador de linha antena, o corta-pipa.

"Isto apenas mostra a hipocrisia deste país. O estado ao invés de auxiliar o cidadão para que possa trabalhar faz exatamente o contrário. Cria um monte de exigências que só oprime o trabalhador. Enquanto ladrões que matam as vítimas estão em liberdade, com "várias" passagens pela polícia. Vejam o caso da antena corta-pipa; Ao invés punirem os jovens ou os pais que permitem essa brincadeira perigosa, o trabalhador tem de se proteger. E outros motociclistas e ciclistas sujeitos a mesmo risco?" Amaury O Ribas, motofrete"Acho que a solução está na fonte consumidora (...) Siga a historinha abaixo: - Oi, é da empresa de motoboy? - Sim, é. Pois não? - Preciso de um com urgência! - Tudo dem. Vai pra onde? - Lapa. Mas quero que passe primeiro na Mooca. Vai demorar? - Não, não. Tô mandando o... Zé Mané. Qual é mesmo o seu nome, senhorita? - Zé Mané...? Mas ele é... - É, é sim. Todos são. Aqui todos já estão devidamente... " Rubens Eduardo Costa, Pedreiro"Eles se acham acima das leis? Por que TODOS os motoristas tem de se adequar as normas e eles não? Eles não respeitam NENHUMA lei de transito, andam entre os carros (proibido), andam nas marginais (proibido), em alta velocidade (proibido) e agora querem ser isentos de cumprir as regras??? A lei é para todos e isso os inclui. Façam greve, façam o que quiserem, sou a favor da regulamentação e punição aos que não se adequarem."Bruno, Diretor"E de nada adianta tudo isso, se não for cobrado do motoboy o principal. Respeito!!! Aos motoristas , pedestres e às leis de trânsito. Se eles não começarem a ser punidos pelas irregularidades constantes que assistimos no dia a dia, milhares delas, porque motoboy não respeita nada, todo o resto é só balela. A profissão precisa aprender que o mundo exige disciplina." José Robeerto, empresário"Absurdo, não todos, mas a grande maioria faz barbaridades no trânsito com essas motos e não querem cumprir a lei... não tem o direito de atrapalhar a vida dos outros parando a paulista, sou a favor de atropelar todos que resolverem parar qualquer via da cidade, o direito de ir e vir é igual pra todos e se interferem na minha vida tenho direito a interferir na deles. se pararem moto na minha frente pra fazer "greve" vou passar com minha pickup por cima, esta avisado." Teo, comerciante"Mais uma vez o Estado transfere a responsabilidade ao povo.O Estado não faz sua parte, basta verificar o número de buracos e remendos mal feitos, o que muitas vezes pode causar acidentes. Uma fiscalização mais eficaz qto ao uso de celular e fones de ouvido também diminuiria os riscos de acidentes.Uso a moto como meio de transp. e passo apuros diariamente. " Sergio Renato, Adm. de empresas"Os motoboys deveriam, além de fazer uma greve de 1 ano, praticar (todos eles) o haraquiri como forma de protesto para "sensibilizar" a sociedade." Dick, Não sou motoboy

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