segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mototáxi mais caro 25%

Além do acréscimo no valor do serviço, viagens mais longas passam a ser calculadas com base na quilometragem

Ter, 01 de Janeiro de 2013 16:25

Taffareu Tarcísio - taffareu@tribunadosudoeste.com.br


O valor da corrida das 6h às 22h, que antes era de R$ 4, sofreu um reajuste de 25%, ou seja, subiu para R$ 5. Ao contrário do que se pensava, o aumento da tarifa dos mototaxistas ocorrida a mais de 15 dias em Rio Verde não causou tanta polêmica. A compressão, a­pontada por alguns usuários, é principalmente creditada à agilidade que o meio oferece, diferente do transporte coletivo, pautado frequentemente pelos atrasos.
 
Em entrevista à Tribuna, o presidente do Sindicado dos Mototaxistas do Sudoeste (Sindmototaxi), Xavier Rodrigues Borges, disse que o reajuste foi acordado entre a Prefeitura de Rio Verde e o Sindicato. No entanto, conforme Borges, a solicitação dos mototaxistas era diferente da que foi assinada. “Nós tínhamos pedido apenas o reajuste de R$ 4 para R$ 5 nas corridas dentro da cidade. Já as mais longas o mototaxista que faria os cálculos”, revelou.
 
Porém, o presidente informou que os representantes da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), órgão responsável pela regulamentação no município, não concordaram e reajustaram a proposta que acabou sendo aceita pela categoria. “Eles definiram os preços de acordo com as quilometragens rodadas”, esclareceu. Borges destacou que as modificações “apesar de ainda não serem ideal para os mototaxistas, ficaram mais justas e condiz com os nossos gastos”, completou.
 
Além do longo tempo sem reajuste, o representante da categoria ressaltou que os valores foram fixados de acordo com análise e avaliação das despesas que os profissionais têm em suas rotinas de trabalho. A média dos gastos, conforme análise da SMT, gira em torno de R$ 50 por dia, cerca de 50% do que o profissional fatura em 14 horas de trabalho. “Tem outro fator que nos prejudica. O aumento de veículos no trânsito fez com que muitos sinaleiros fossem instalados, isso deixa o trânsito mais seguro, no entanto, atrasa as nossas corridas”, destacou. Borges ressaltou ainda que uma corrida que antes duraria mais ou menos 10 minutos, agora leva 15 ou mais.
 
De acordo com dados da SMT, baseado no antigo valor tarifado, a receita dos mototaxistas por 14 horas de trabalho em 28 dias é de cerca de R$ 2,8 mil. Mas, tirando as despesas, a média salarial era de aproximadamente R$ 1,3 mil, ou seja, mais da metade é atribuída a despesas. Há quem duvide desses dados e acredita que o saldo salarial dos profissionais é bem maior do que o apresentado.
 
Mas, conforme o mototaxista Emerson Martins Farias Gomes, o que as pessoas não compreendem é que enquanto a maioria dos profissionais tem carga horária de no máximo 8 horas diárias, a categoria trabalha quase o dobro, ou seja, 14 horas. Gomes afirma que seus clientes não estão contestando o reajuste. “Aumentou, mas cerca de 95% das corridas são de R$ 5, por isso eles não reclamam, pois está quase a mesma coisa”, frisou. De acordo com Gomes, muitos passageiros que trabalham em empresas que fornecem o vale transporte coletivo vendem para outros cidadãos e o dinheiro passa a ser gasto no pagamento das corridas de mototáxi.

Fiscalização
Divino Vazo da Silva, que é mototaxista a mais de 16 anos, destaca outro fator importante: os usuários do serviço devem prestar muita atenção para não serem lesados. “Têm muitos mototaxistas que são espertos e cobram mais, mas nem todos são assim e os usuários precisam ficar atentos ao número do colete do profissional para acionar a fiscalização”, comentou. Conforme ele, não adianta um usuário reclamar que está sendo lesado com cobranças abusivas se eles não identificarem qual é o número do profissional que não cumpre com o acordo tarifário. “Se no colete dele não tiver esse número já é o primeiro sinal de que aquele não é um profissional sério e legalizado”, ressaltou.

Usuários
Francinildo Sousa Conceição diz utilizar diariamente como meio de transporte os serviços de mototaxi. O jovem afirma que comparada à distância que ele teria que percorrer a pé, pagar R$ 5 não pesa muito em seu bolso. “É um meio rápido e até barato se for analisar, pois ele me deixa onde eu quero”, frisou.
 
Mas nem todos concordam com Conceição. A vendedora Ana Clara da Silva Batista não nega que o meio oferece certos privilégios se comparado ao transporte coletivo. Mas, para ela, o valor ao final do mês soma uma quantia considerável. “Entendo que eles até trabalham muito mais para faturar quase a mesma quantia que eu, mas se eu utilizasse diariamente teria que economizar em outras coisas para conseguir manter o transporte”, exemplificou. Segundo a vendedora, ela utiliza os serviços em caso de emergência. “Quando estou atrasada ou quero chegar mais rápido em algum lugar pego um mototaxi”, confidenciou.
 
O mototaxista Marcelo Silva rebate as argumentações da vendedora, lembrando que anualmente tanto ICMS, IPIs dentre outras tarifações, bem como o salário, são reajustadas. “Se considerarmos que enquanto todos têm aumento salarial todos os anos e faz três que não temos, não está caro”, justificou. Assim como o presidente Sindmototaxi, Silva acredita que mudança na tarifação ficou mais justa. “Antes, a gente fazia uma corrida longe e recebia o mesmo valor de uma que andava cerca de três quilômetros. Agora, ficou justo pra gente e para o usuário”, diz.

Última atualização em Ter, 01 de Janeiro de 2013 16:30

 

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