terça-feira, 6 de novembro de 2012

Mototaxistas ilegais tornam transporte perigoso

Sindicato reclama que rodam na Grande Goiânia cerca de mil profissionais de forma irregular e que falta fiscalização para combater açãoTexto por Rariana PinheiroEnviado por Diário da Manhã - às 00h36

Aparência

À me­dida em que a pro­fissão de mo­to­ta­xista foi re­gu­la­ri­zada por lei e con­quistou a con­fi­ança e res­peito do ci­dadão, ao mesmo tempo a pro­fissão sofre também com a falta de fis­ca­li­zação e com o au­mento de pro­fis­si­o­nais ile­gais.  De acordo com dados do Sin­di­cato dos Mo­to­ta­xistas de Goiás (Sin­di­moto), são quase mil mo­to­ci­cletas que trans­portam pas­sa­geiros de forma ilegal em Goi­ânia e apenas 14 agentes da Agência Mu­ni­cipal de Trân­sito (AMT) para fis­ca­lizá-los. Se­gundo a en­ti­dade, com os veí­culos pin­tados de ama­relo e os mo­to­ristas ves­tindo co­letes fal­si­fi­cados, os pro­fis­si­o­nais clan­des­tinos causam in­se­gu­rança à po­pu­lação e pre­juízos aos tra­ba­lha­dores que agem con­forme a lei.

Um dos mo­to­ta­xistas mais an­tigos da ci­dade e pre­si­dente do Sin­di­moto, Wilton Borges, disse que não há um dia se­quer em que ele não re­ceba de­nún­cias de usuá­rios do ser­viço in­sa­tis­feitos, que ti­veram per­tences, do­cu­mentos ou di­nheiro fur­tados por pro­fis­si­o­nais ile­gais. Por isso, Wilton, jun­ta­mente com a di­re­toria do sin­di­cato, irá pro­to­colar de­núncia junto ao Mi­nis­tério Pú­blico da ação de mo­to­ta­xistas clan­des­tinos na Ca­pital.

Se­gundo o pre­si­dente do Sin­di­moto, o órgão res­pon­sável pela fis­ca­li­zação dos mo­to­ta­xistas é a AMT, que hoje não tem con­di­ções de, com apenas 14 fis­cais, fazer uma fis­ca­li­zação mais efi­ci­ente. “Os pro­fis­si­o­nais ile­gais estão agindo de forma mais ou­sada, cau­sando risco à po­pu­lação, e por esse mo­tivo a in­tenção do Sin­di­moto é so­li­citar que a equipe do Giro da Po­lícia Mi­litar (PM) co­la­bore com a AMT para ga­rantir fis­ca­li­za­ções mais ri­go­sosas”, diz Wilton Borges.

 

Ame­aças

“Há in­se­gu­rança para nós e para os pas­sa­geiros. Al­guns pro­fis­si­o­nais re­gu­la­ri­zados estão com medo de sair para tra­ba­lhar à noite. Em al­guns lu­gares eles não vão, por medo de ser agre­didos, já que houve fatos de tra­ba­lha­dores re­gu­lares serem ame­a­çados por al­guns mo­to­ta­xistas clan­des­tinos em portas de bares, res­tau­rantes e bo­ates”, ex­plica o pre­si­dente.

Con­forme a lei 8.622/08, que re­gu­la­menta a pro­fissão dos mo­to­ta­xistas, eles devem usar ca­pa­cetes e co­letes ama­relos, na la­teral da moto deve haver o nú­mero de re­gistro do pro­fis­si­onal, e a placa do veí­culo deve ser ver­melha. Se­gundo Wilton, al­guns mo­to­ristas chegam a usar o nú­mero de re­gistro de outro tra­ba­lhador legal para burlar a fisca-li­zação da AMT. O pre­si­dente do Sin­di­moto diz também que a mai­oria dos tra­ba­lha­dores que tran­sitam de forma ir­re­gular não pos­suem se­quer car­teira de mo­to­rista.

Ainda de acordo com Wilton, os gastos entre im­postos e ade­quação do veí­culo, para um pro­fis­si­onal tran­sitar con­forme a lei, podem chegar a R$ 2 mil por ano. Se­gundo sus­peita Borges, a falta de fis­ca­li­zação da AMT e im­pu­ni­dade aos ile­gais tem feito muitos pro­fis­si­o­nais dei­xarem de fazer o re­ca­das­tra­mento junto à agência.

Os anos de ca­pa­ci­tação, re­ci­cla­gens e o in­ves­ti­mento no pa­ga­mento dos im­postos fi­zeram o mo­to­ta­xista Re­gi­naldo José, que trans­porta pas­sa­geiros há 18 anos, se sentir le­sado. “Se um pro­fis­si­onal que cir­cula ir­re­gu­lar­mente for pego uma vez por ano, ele paga uma multa menor do que eu pago por agir cor­re­ta­mente”, disse José, in­dig­nado, se re­fe­rindo à multa de R$ 800, valor para li­berar o veí­culo ir­re­gular.

 

Mais Fun­ci­o­ná­rios 

Pro­cu­rada pela re­por­tagem do Diário da Manhã, a AMT re­co­nheceu o pro­blema da falta fis­ca­li­zação e disse que para re­so­lução do pro­blema são ne­ces­sá­rias par­ce­rias. “Sa­bemos que há muitos mo­to­ta­xistas clan­des­tinos que podem ser pes­soas pe­ri­gosas, por isso que­remos também agir em con­junto com a PM”, disse o chefe da di­visão de fis­ca­li­zação do ser­viço de mo­to­táxi e mo­to­frete, Fa­brício Acân­tara.

Con­forme Fa­brício, a di­re­toria da AMT já con­firmou para o ano que vem um con­curso que de­verá au­mentar o quadro de fun­ci­o­ná­rios e está pre­vista a con­tra­tação de mais 40 fis­cais. Para este ano, o chefe de fis­ca­li­zação disse que duas grandes ope­ra­ções em con­junto com a PM já têm data mar­cada – devem ocorrer ainda este mês.

 

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