segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O planejamento urbano, os objetos e a moto

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Objeto é assim qualquer coisa. O carro, por exemplo, é um. Dessa palavra sai o verbo -objetar-. Quando alguém diz: -Eu objeto. Não está se referindo a alguma coisa, simplesmente está barrando, tampando, obstruindo ou estorvando uma ação ou declaração.

O carro é um objeto móvel, serve basicamente para levar pessoas e outros objetos de A ao ponto B. Acontece que quanto mais devagar o carro anda, mais ele se torna objeto, até estacionar na garagem tomando um grande e pesado espaço.

Comparado às cadeiras, copos e escova de dente que temos dentro de casa, o carro é um objeto enorme, principalmente quando parado na sua frente no transito estorvando e você precisando passar.

Maior que os carros temos os ônibus e caminhões, e nos seus meios separados os trens, objetos para trilhos, e os aviões, que são objetos voadores.

Podemos considerar ainda as casas e os prédios como objetos de entrar, gigantescos e fixos nos quarteirões atrapalhando a passagem, o sol, os ventos e por que não a paisagem.

Todo esse assunto de objeto e estorvo serviria bem para chegar à motocicleta, não como um transporte que tivesse as vantagens do tamanho e agilidade incontestes se comparado a outros objetos na cidade, mas sim como ela a moto e a bicicleta constarem pouco na hora de se listar os objetos no contexto do planejamento urbano, e saber o que fazer com eles. E por fim não podemos deixar de nos considerar objetos quando andamos a pé, embora o pedestre objete pouco à passagem de outro.

Só que aqui a insistência, além do olhar motociclístico, é chegar às atribuições do profissional urbanista, como principal funcionário no planejamento urbano. Isto é, alguém que reconhecendo todos esses objetos urbanos, e munido das ferramentas que estão a sua disposição, deveria fazer da cidade um local organizado e funcional para locomoção, negócios e encontros das pessoas que nela se movimentam.

Algumas dessas ferramentas atuantes são: As experiências da engenharia tais como normas e cotas, as leis do transito, o código de obras, o zoneamento, o mobiliário urbano, a sinalização, pontes viadutos e túneis, o transporte público, o programa de manutenção, a mídia e propaganda institucional, e a detecção dos costumes das tribos urbanas.

Muito bem, o descrito acima é a primeira aula do curso de arquitetura e sua ligação com o urbanismo, desprezar esse entendimento com os objetos urbanos e não conseguir lidar com eles usando as ferramentas disponíveis acarreta a desordem, os congestionamentos, prejuízos materiais, além de stress e acidentes, incluindo os com números absurdos que ocorrem com motociclistas numa cidade exemplo como São Paulo, nada desprezível.


(Luiz Roberto Villa)


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