sábado, 1 de setembro de 2012

Mototaxistas criam "rodoviária' ilegal no DF

 

Apesar de proibido e perigoso, serviço é oferecido livremente em uma das vias mais movimentadas do Distrito Federal

Passageira se aproxima para utilizar o serviço que tem o mesmo preço do ônibusRicardo Marques / Metro Brasília

Raphael Veledado do Metro Brasílianoticias@band.com.br

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O gramado às margens da Epia na altura do Park Way, próximo à via de acesso ao Aeroporto de Brasília, se transformou em terreno livre para o transporte pirata sobre duas rodas.

Proibido no Distrito Federal, o serviço de mototáxi é anunciado aos gritos em uma das principais rodovias que passam por Brasília. Os alvos dos piratas são passageiros do Entorno sul e de cidades como Gama e Santa Maria, que têm pressa para chegar ao trabalho após mais de hora dentro de um ônibus.

Confira a edição do Metro Brasília desta quinta-feira

Necessidade e medo

“Entro às 8h e meu chefe não aceita atrasos. Se eu for esperar o ônibus, não consigo chegar. Teria que sair de casa uma hora mais cedo”, justifica o motorista particular Antônio Brígido, 45, que mora na Cidade Ocidental (GO) e trabalha no Park Way.

“Meu serviço é no aeroporto. Se eu não descer aqui para pegar a moto, tenho que ir até o fim da Asa Sul e esperar o ônibus. É uma hora e meia a mais, em pé no baú lotado, e pagando o mesmo”, conta a auxiliar de serviços gerais Jorgina Araújo, 52, que mora no Novo Gama (GO).

Estrutura montada

Os mototaxistas da Epia não fazem nenhuma questão de se esconder da fiscalização. Há pelo menos dois anos, segundo passageiros ouvidos pelo Metro, eles se reúnem do lado direito da pista marginal para esperar pelos clientes.

No local há bancos de madeira, sombra para as motos e um orelhão, pelo qual os motociclistas recebem ligações de clientes que querem ser buscados para fazer o trajeto de volta. O meio-fio foi quebrado para que as motos circulem e a grama do local já desapareceu devido ao trânsito intenso.

A movimentação começa às 6h e dura a manhã toda. A passagem para locais próximos custa R$ 2, o mesmo que o ônibus convencional, mas o valor pode subir para R$ 5 se o destino for mais distante, como a área central de Brasília ou outras cidades.

Nenhum mototaxista quis dar entrevista, mas a equipe do Metro foi hostilizada enquanto conversava com os passageiros na área pública ocupada. “Aqui só tem trabalhador. Estamos fazendo um serviço que o governo não faz”, gritou um deles na manhã da última terça-feira, enquanto balançava o capacete no ar.

GDF estuda autorizar serviço fora do Plano

Em um futuro ainda indefinido, o GDF pode regulamentar a atividade de transporte público em motocicletas em algumas cidades do Distrito Federal.

A subsecretária de Transporte Público Individual, Luciana Padilha, disse que há estudos em andamento nesse sentido. “No Plano Piloto, por exemplo, é inviável, pois não há condições de segurança, com as vias rápidas, nem demanda”, afirma. “Mas em cidades como Itapoã pode funcionar, pois o transporte tradicional, em ônibus, tem dificuldade de circular.”

Para a ideia sair do papel, são necessários estudos sobre segurança e o levantamento da demanda pelo serviço. O governo se preocupa ainda com a criação de uma estrutura mais robusta de fiscalização para coibir a pirataria.

Atualmente, o DFTrans conta com apenas seis funcionários para cobrir todo o DF. O Batalhão de Trânsito da PM auxilia o serviço.

Falhas na repressão se devem à agilidade dos infratores, diz PM

O DFTrans, órgão responsável pelo combate ao transporte pirata, autuou 418 pessoas pela infração até 20 de julho deste ano. Desses, 20, ou menos de 5%, eram motociclistas.

Segundo o órgão, a maioria das autuações ocorreu na Epia, no local onde o Metro flagrou a rodoviária irregular improvisada. Isso, porém, não parece assustar os mototaxistas.

Na última terça, o Metro flagrou um deles embarcando uma passageira e ganhando a pista bem em frente a um carro do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, que não agiu para evitar a infração.

A PM informou em nota não ter números expressivos sobre a autuação de piratas em duas rodas e explicou: “A prova contundente para esta prática é muito difícil de ser alcançada, pois o transporte é feito de apenas uma pessoa, que não confirma seu pagamento, descaracterizando o teor da aplicação da notificação por transporte pirata”.

Ricardo Marques / Metro Brasília

 

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