sábado, 1 de setembro de 2012

Major denuncia que mototaxistas da Rocinha pagavam para trabalhar

Motataxista contou que há 15 anos paga diariamente R$ 13 no ponto.
Denúncias chegaram à Coordenadoria de Policiamento há cerca de 3 meses.

Do G1 RJ

1 comentário

O comandante de policiamento da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, denunciou o esquema que obrigava os mototaxistas da comunidade a pagar uma diária de R$ 13 para trabalhar, conforme mostrou o RJTV.

Um mototaxista, que preferiu não ser identificado, contou que todo dia, há quinze anos, pagava um valor para poder trabalhar na comunidade. “Eram 12, 13 reais por dia. Tinha uma pessoa própria durante o dia para receber esse dinheiro do mototáxi. Se não pagasse, a gente não trabalharia. Pegava o colete e pronto, cada um que fosse se virar. Tinha que pagar para comer, para sobreviver," relatou.

A Coordenadoria de Policiamento da Rocinha - que atua na comunidade desde a ocupação, em novembro do ano passado - recebeu essas denúncias há cerca de três meses. Segundo o major da PM, Edson Santos, depois que os traficantes de drogas perderam o controle da comunidade, a Associação União Pró-Melhoramentos dos moradores passou a cobrar R$ 13 por dia de cada um dos mototaxitas.

De acordo com as denúncias apuradas pela polícia, o valor total arrecadado chegava a R$ 300 mil por mês. Em cada um dos sete pontos de táxi, havia uma espécie de supervisor. "Criou-se a figura de donos dos pontos. Pessoas se auto entitulavam dono daquele ponto e cobravam para que o mototaxista rodasse um determinado valor", explicou o major.

Cestas básicas e novas regras
O major Edson afirma que parte do dinheiro arrecadado pela associação foi usado para compra de cestas básicas. O presidente da associação na época era o candidato a vereador Léo Lima.

Apesar das denúncias que surgiram na comunidade, as queixas não foram levadas pela PM à delegacia.

"O grande problema que nós temos é que na totalidade das vezes, o mototaxista não queria comparecer à delegacia para prestar informações. Só que possivelmente o Disque-Denúncia é encaminhado para a delegacia diretamente, completou Edson.

Dos 900 mototaxistas que trabalhavam na Rocinha, 700 já fizeram o cadastro organizado pela Polícia Militar. Esses receberam os coletes porque estavam com os documentos em dia e devem poder atuar livremente dentro da comunidade.

Entre as regras que os mototaxistas devem obedecer, está o uso de capacetes e do colete padronizado, levar somente um passageiro por moto, trabalhar apenas dentro da Rocinha e cobrar o preço fixo de R$ 2 por corrida.

O presidente em exercício da Associação União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, Francisco Ferreira Filho, informou que a associação nunca recebeu dinheiro dos mototaxistas. Ele acrescentou também que a associação quer que o serviço funcione na comunidade, mas que não se envolve com os mototáxis.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário