quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Empresa indeniza ex-empregada obesa que era alvo de piadas

Nahla Camila do Espírito Santo dos Santos, 29, que exerceu a função de secretária por dois anos na empresa

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DO UOL

A Justiça do Trabalho condenou uma empresa de mototáxi de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) a indenizar em R$ 16 mil uma ex-funcionária que era alvo de piadas no ambiente de trabalho por ser obesa.

Nahla Camila do Espírito Santo dos Santos, 29, que exerceu a função de secretária por dois anos na empresa, pesava 162 quilos na época. Hoje ela pesa 132 quilos e passa por acompanhamento médico no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para redução de peso.

De acordo com ela, uma funcionária do seu ex-local de trabalho desenhava figuras semelhantes a bonecos de neve e colava em sua mesa. Os desenhos tinham sempre as letras “kkk”. Nahla diz que, no início, levou a brincadeira numa boa.

“Até que um dia, essa mesma funcionária desenhou um elefante e colou no banheiro dos funcionários com a frase: ‘Um elefante incomoda muita gente’. Aí eu me descontrolei e procurei a polícia.” A ex-secretária disse que foi orientada na polícia a notificar, por escrito, o dono do mototáxi sobre o problema. Ela afirma que, apesar disso, a colega de trabalho continuou com as piadas.

“Eu estava quase a ponto de partir para a agressão física. Aí minha psicóloga me aconselhou a deixar o trabalho e entrar com a ação por danos morais.” Na decisão, o juiz Gustavo Triandafelides Balthazar afirmou que o dano moral sofrido pela ex-secretária foi constatado por provas materiais e testemunhas. O magistrado relatou que é obrigação da empresa fazer com que “nenhum trabalhador tenha sua dignidade abalada”.

Na Justiça, Nahla fez acordo com o dono da empresa de mototáxi e reduziu a indenização à metade, R$ 8.000. “Ele me pediu desculpas na audiência. Não é pelo dinheiro que decidi processar, mas é para servir de exemplo. Muitas pessoas obesas devem passar o mesmo inferno que passei. Espero que elas façam como eu e também reajam.”

“Eu sofro por ser obesa”

Nahla pretende guardar o dinheiro da indenização e dar de entrada numa casa para morar com o noivo e pai de sua filha de quatro anos. Ela afirma que enfrenta gozações devido ao peso desde criança. “Eu sofro muito com isso.”

A ex-secretária, que hoje trabalha de vendedora, pretende fazer uma cirurgia bariátrica (de redução do estômago). Ela vem passando por avaliação de uma equipe de nutrólogos do Hospital das Clínicas. “Eu sei que é uma cirurgia arriscada, que dá complicações, mas eu quero ser diferente.”

A reportagem do UOL procurou o advogado Mário Nelson Perez Júnior, que defende a empresa condenada, para comentar o caso, mas sua secretária afirmou que ele não estava no escritório. A funcionária se recusou a fornecer o celular do advogado.

 

 

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