terça-feira, 7 de agosto de 2012

Recém-habilitados em MG procuram autoescola para ter experiência na rua

Delegado de Trânsito em Divinópolis diz que aprova as aulas pós-carteira.
Condutores afirmam que aulas dão mais segurança no trânsito.

Anna Lúcia SilvaDo G1 Triângulo Mineiro

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Instrutor dá aulas para alunos habilitados
(Foto: Anna Lúcia Silva/ G1)

Dar aulas de aperfeiçoamento e transmitir mais segurança para quem acabou de tirar a carteira de habilitação. Este é o intuito de instrutores de trânsito que dão treinamento para condutores recém-habilitados em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado.

O delegado de Trânsito Fernando Vilaça, disse que aprova a nova proposta das aulas de pós-carteira. “Temos um alto índice de acidentes em Divinópolis e na região e o principal fator que leva a esses acidentes é a falta de experiência no trânsito. As aulas para quem já se habilitou são de fato muito importantes para que o motorista possa adquirir segurança e experiência para então ser inserido na dinâmica do trânsito”, concluiu.

Conquistar a tão desejada carteira de habilitação requer um treinamento específico para passar pela avaliação. Mas para o examinador de trânsito Hamilton Resende, esse treinamento pode não ser suficiente. “Apesar de não ter uma legislação que obrigue as aulas pós-carteira, elas são sim muito importantes, pois os candidatos à habilitação aprenderam os procedimentos técnicos para serem avaliadas, as malícias e os pormenores do trânsito o condutor só adquire na prática”, ressaltou o examinador.

Júlio Tavares é instrutor há 16 anos, há dois ele dá aulas para habilitados. Hoje destina a metade da carga horária para quem já está com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), na mão. A mudança no seguimento surgiu quando ele percebeu a falta de preparo de quem sai da autoescola. “Na maioria das vezes quem tira carteira pensa que perdeu o vínculo com a autoescola, mas na verdade não é assim. Costumo dizer que dou aula de pós-carteira e posso assegurar que as pessoas só vão de fato aprender a dirigir depois que tirarem a carteira", afirmou.

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O trânsito intenso e a dinâmica rápida na circulação dos veículos são fatores que levaram o estudante Rodrigo de Almeida a voltar a ter aulas de direção. A intenção dele é ter mais agilidade nas manobras. "Eu tirei carteira há cinco meses, mas me sinto um pouco lento nas ruas. Demoro para entender as manobras, passar as marchas e não faço com precisão, por isso decidi voltar a fazer aulas para me aperfeiçoar", enfatizou.

O instrutor de trânsito Raul Martins trabalha apenas com quem já se habilitou, há um ano ele presta esse serviço na cidade, segundo ele a demanda é grande. “ Os resultados são sempre muito bons, bem positivos, por isso a procura é grande, o treinamento realmente faz a diferença para quem busca se aperfeiçoar no trânsito”, disse.

Metodologia
As primeiras aulas são feitas nos carros dos instrutores que são os mesmos da autoescola, com duplo comando de freio e embreagem. O instrutor Julio Tavares disse que antes de entrar em áreas centrais da cidade, primeiro é feito um trabalho de reconhecimento do veículo em ruas menos movimentadas. “É um trabalho de reconhecimento do trânsito, das ruas movimentadas até para a pessoa se sentir mais segurança. Quando o motorista já estiver apto a dirigir com segurança, aí sim passamos a fazer aula no carro do motorista”, explicou Julio Tavares.

As aulas têm duração de 50 minutos e custam R$ 35. Para quem deseja fazer aula em rodovias, o preço fica a combinar. “Para aulas mais longas o preço é sempre combinado, às vezes o aluno mora fora e tem interesse em ir e voltar pelo trajeto que faz até a cidade dele. Muitos pedem também para ir até a capital, Belo Horizonte, por ser uma cidade movimentada e cheia de detalhes, que se não forem observados podem comprometer o condutor”, explicou o instrutor Raul.

Nas rodovias os perigos são mais eminentes, o condutor precisa ter segurança para transitar nessas vias."

Urbano Gonçalves

Flávia Oliveira tirou carteira há dois anos. Segundo ela, as aulas pós-carteira vão servir para dar mais segurança e ainda vão aperfeiçoar a rotina com o trânsito. “Eu tirei carteira para poder ter mais agilidade para chegar ao trabalho e também pelo conforto, no entanto eu não dirigia, peguei em um volante pela primeira vez na autoescola. Por isso tenho receio de andar nas ruas movimentadas do Centro da cidade. Preciso aprender os macetes do trânsito e então procurei alguém que desse treinamento para habilitados”, disse.

Nas rodovias, os perigos são mais eminentes. O condutor precisa ter segurança para transitar nessas vias, de acordo com o instrutor de trânsito, Urbano Gonçalves. “Existe uma série de fatores que precisam ser observados quando o motorista está em uma rodovia. Ele precisa levar em conta o tempo de deslocamento, a velocidade e o espaço dele em relação ao outro veículo, ou seja, o condutor dirige para si e sempre atento ao outro”, comentou o instrutor.

 

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