domingo, 5 de agosto de 2012

Motoboys ganham mais tempo para curso

dia a dia
04/08/2012 06:09


Conselho Nacional de Trânsito decide que os motofrentistas têm até fevereiro de 2013 para se capacitaremPEDRO GUERRA 
pedro.guerra@bomdiasorocaba.com.br
As novas regras para que os motoboys possam trabalhar, que deveriam entrar em vigor neste sábado (4), ficaram para fevereiro. A decisão foi um alívio para muitos motofretistas que trabalham em Sorocaba.


O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) decidiu, nesta quinta-feira (2),  que a categoria  terá até fevereiro de 2013 para realizar o curso de capacitação.


Como a maioria dos condutores ainda não conseguiu se adequar às novas regras, os conselheiros resolveram prorrogar a data de fiscalização e a obrigatoriedade do curso especializado.Para o proprietário de uma empresa de motofretistas, Marcelo Nabas, 42, o grande problema mesmo foi a falta de curso de capacitação. "Tenho de 20 a 25 motoboys e apenas  dois ou três fizeram o curso", afirma. Ele coloca que as motocicletas estão sendo adequadas à  legislação. "Tudo está conforme a lei. O Sest [Serviço Social do Transporte] e o  Senat [Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte] não conseguem atender a demanda de procura", acrescenta.Na opinião de  Marcelo,  a medida vai ajudar saber quem é quem no trânsito. "Quando ocorre um acidente com moto sempre falam que  é motoboy, mas não existe uma estatística sobre isso."

Bom/ O motoboy Márcio Brites da Silva, 29, trabalha há oito anos no ramo. Em março ele fez o curso oferecido em Sorocaba pelo Sest/Senat. 

Segundo ele, o curso é muito bom. "A gente aprende muita coisa. Temos aula de direção defensiva que ajuda muito no trânsito", diz.Ele ainda fez o curso gratuito. "Na minha turma havia 24 vagas. Eram 18 fazendo", lembra.Delivery/ Já os proprietários do ramo denominado de delivery (pizzarias, lanches e marmitex) que trabalham com os autônomos vão fazer com que os motoboys façam o curso e fiquem dentro da lei. "Desta forma eles ficam regulares e não teremos problemas", acredita o proprietário de uma pizzaria Luiz Antônio da Fonseca.O vereador Anselmo Neto (PP) disse a mudança vai trazer mais tempo para adequação. "Acredito ser um tempo hábil para que todos os motoboys  fiquem regularizados." Já a Urbes – Trânsito e Transportes  quer separar em categorias os prestadores de serviços, qual seja, profissional autônomo, empresas de motofrete e delivery. Isso está sendo feito por meio do site dawww.urbes.com.br. Lá, o profissional encontra todas informações.  

Artigo

Carlos Ortiz - Secretário do Emprego e Relações do TrabalhoMotofretistas, a cultura do medo e o momento perdido

Perdi a conta do número de vezes que eu e minha equipe nos reunimos para discutir a resolução 350 da lei número 12.009. Pela resolução que, em princípio, deveria entrar em vigor a partir do próximo dia 4 de agosto, todo motofretista deve participar de curso capacitatório para o exercício da função e adequar o veículo para sua maior segurança. O que não fechava, nas nossas contas, era exatamente o momento e o prazo, bastante estreito para seu cumprimento.
 
Diante da incontestável frágil relação da população com os motoboys, estava muito claro para a Secretaria que a lei aplicada, às pressas e sem um planejamento bem definido e elaborado, poderia causar um prejuízo ainda maior para esse convívio já difícil.
 
Depois de muito estudo da situação, teríamos, em função da lei, uma excelente oportunidade de mudar essa relação. Os motoboys bem capacitados teriam uma chance, pelo estudo, de terem um outro entendimento do trânsito. A preocupação com a segurança do profissional, através da adaptação das motos, por si só serveria para valorizar ainda mais o profissional. Situação sem perdedores.
 
O Contram com a decisão única e desplanejada de adiar a fiscalização para fevereiro do ano que vem, prestou imenso desserviço social, especificamente a  toda categoria e à população de forma mais ampla. Perdemos os dois. 
 
O Governo do Estado, através da SERT, fez um planejamento detalhado que incluía não somente o adiamento da fiscalização e das punições através de  multas, mas sim  uma estratégia que no pior cenário, ao final de  12 meses, teria potencial real de qualificar os 500 mil motoboys do Estado.

A ideia girava em torno de cinco pilares básicos: 01 - Os condutores teriam 90 dias (de 01/08 a 31/10) para se inscrever nos cursos que seriam disponibilizados. Os que não respeitassem os prazos para inscrição, estariam sujeitos à sanção. 02 - As executoras dos cursos práticos e teóricos enviariam reforços para ampliar a restrita oferta de vagas que prejudicava a capacitação de toda a categoria no prazo de 4 de agosto. 03 - Seria disponibilizada uma plataforma para a realização do curso, parte teórica, à distância. As provas seriam aplicadas pelo Detran e os motoboys obrigados a entregar exercícios de todas as disciplinas. 04 - A capacitação ocorreria até o final de 2013, desde que respeitados os prazos de inscrição. 05 - Através de incentivo do Banco do Povo Paulista, a SERT auxiliaria os motoboys a financiar os custos de adequação dos veículos à resolução. O Detran, parceiro nas discussões, havia liberado 20 mil vagas gratuitas para a categoria. A SERT que entre o ano passado e este ano formou mais de 9 mil profissionais, disponibilizaria mais 3 mil vagas, também sem custos. Dominava nos encontros a certeza do caminho acertado. Poucos setores têm uma competição mais dura e acirrada que os motoboys. A regulamentação da lei de forma cautelosa e pelo entendimento das limitações da categoria se transformaria num marco decisivo para a mudança do relacionamento desses profissionais com a população. Estávamos com a faca e o queijo na mão para tentar normalizar essa situação. Jogamos fora com o descaso, com um "empurrão com a barriga". Tiramos dos motofretistas a capacidade de se transformar em profissionais éticos, respeitados através da qualificação. O benefício que a sociedade, que hoje vive a cultura do medo, perdeu, não tem precedentes. Lamento imensamente o momento perdido. Espero uma posição do Contran no sentido de sentarmos novamente para discutir essa questão que interessa a todos. O que restou de tantas reuniões que fizemos para a discussão do assunto? Quem ganhou? O medo. Novamente, a manifestação de ontem da categoria que parou a cidade em vários momentos do dia, serviu para provar mais uma vez à população que no grito eles são mais respeitados que em uma mesa de reunião.

'Houve pouca procura'
Coordenador do Sest/Senat afirma que só em julho houve um pequeno aumento

De acordo com o coordenador de Desenvolvimento Profissional do Sest/Senat,  Sergio Luiz de Campos, houve pouca procura por parte dos motoboys pelo curso. "Começamos a oferecer o curso no fim  de dezembro do ano passado. Até junho as vagas eram de graça", explica.

Ainda segundo ele, a procura começou a aumentar em julho. "Isso porque o prazo estava terminando", lembra Sergio.O curso de capacitação tem duração de 30 horas e 24 vagas. "São 25 horas teóricas e cinco práticas. Fazemos de final de semana e também durante a semana à noite, já que na parte da manhã abrimos e não houve procura", justica Sergio.Agora existem turmas fechadas até  15 de setembro. "Já estamos abrindo outra para  29 de setembro", adianta. Ele coloca que até o momento 300 motociclistas procuraram pelo curso. "Olhe que fizemos anúncio nas rádios e na televisão."

Para fazer o curso
Para fazer o curso é necessário ter mais de 21 anos, ser habilitado na categoria A há pelo menos dois anos. 

R$ 160 é o valor do curso de capacitação para os chamados autônomos. Para quem trabalha a uma empresa o preço é de R$ 60

Novos locais 
Agora, os cursos poderão ser promovidos também pelos CFCs (Centros de Formação de Condutores) e por entidades de ensino, desde que comprovada a capacidade técnica necessária.

Protesto adiado  Um protesto estava marcado para esta sexta-feira (3) à tarde em Sorocaba, mas foi adiado devido a prorrogação da adequação.


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