quinta-feira, 23 de agosto de 2012

25% dos leitos pediátricos ocupados por causa de acidentes com motos, no Recife

 

 

25% dos leitos pediátricos ocupados por causa de acidentes com motos, no Recife

 

As crianças dificilmente ficam internadas menos de 45 dias. A multa é de R$ 191, mais sete pontos na carteira de habilitação por transportar menor de 7 anos

Ao todo, 25% dos leitos pediátricos do maior hospital de emergência do Nordeste estão ocupados com vítimas de acidentes com motos. Nas ruas do Recife, os repórteres do Jornal Nacional acompanharam situações que podem explicar esse índice.

Nenhuma autoridade de trânsito está vendo. E aí vale tudo: dirigir sem capacete; três em uma moto; criança espremida no meio, sozinha na garupa. Isso acontece bem na porta de uma escola, no Recife.

O Código de Trânsito brasileiro diz que conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor transportando criança menor de 7 anos ou que não possa cuidar da própria segurança é infração gravíssima. A multa é de R$ 191, mais sete pontos na carteira de habilitação.

Mas um homem não dá a mínima para a proibição e nem para a proteção das crianças.

Era o pai que dirigia a motocicleta onde Vitória, de 2 anos, ia acompanhada também de uma tia. Eles bateram em outra moto.

“A gente ia para casa, colocou, mas não sabia que iria acontecer também”, conta a dona de casa Luziana Elias de Melo.

As crianças dificilmente ficam internadas menos de 45 dias. Muitas vezes, imobilizadas, e entre uma cirurgia e outra.

Rafael está no hospital há mais tempo. São sete meses. Fraturou as duas pernas, o fêmur, um braço e a bacia. Estava na moto com o irmão e uma menina de 12.

Quinze dos 60 leitos reservados para crianças no maior hospital de emergência do Nordeste estão ocupados por vítimas de acidentes de motos. Pacientes mobilizam uma equipe que o hospital teve que formar só para esses casos.

“Estão chegando as crianças graves para serem atendidas por uma equipe multidisciplinar, onde essas crianças precisam ser operadas várias vezes por lesões de membros inferior, por lesão de crânio, lesão de face, precisam de cirurgia plástica. E tem pessoas da família, pai e mãe, que vêm acompanhando e ficam internadas também”, aponta João Veiga, coordenador do Comitê de Prevenção aos Acidentes com Moto.

É a rotina da agricultora Cristiane da Silva Freitas. As duas filhas dela, de 12 e 15 anos, estavam em uma moto dirigida por um vizinho. Estão internadas em hospitais diferentes.

“Eu, como mãe, tenho que me dividir. Fico um dia com ela aqui e amanhã já vou ficar com a outra”, conta.

Fonte: 180 graus – 19/8/2012

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