sábado, 7 de julho de 2012

Preparação de condutores não é suficiente para formar bons motoristas no DF


Os candidatos passam no exame do Detran, mas não se sentem seguros para dirigir

Do R7 | 06/07/2012 às 21h08
Elza Fiuza/ABr
Preparação de condutores não é suficiente para formar bons motoristas no DF
Só em 2011, 3.335 habilitações foram apreendidas no Distrito Federal e, desse total, 77 foram cassadas

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A formação de condutores de veículos é falha no DF, segundo especialistas, instrutores e os próprios motoristas. Só em 2011, 3.335 habilitações foram apreendidas no Distrito Federal e, desse total, 77 foram cassadas. 

Segundo o pesquisador da UnB (Universidade de Brasília) Davi Duarte, especialista em segurança no trânsito, falta também acompanhamento do motorista pelo órgão fiscalizador de trânsito, o Detran (Departamento de Trânsito). 

O especialista explica que, à medida que o condutor se sente relaxado para enfrentar as ruas, acaba se abrindo para riscos diferentes ao se sentir capaz de infringir as leis de trânsito, como, por exemplo, exceder a velocidade permitida ou furar um sinal vermelho.

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O estudante Tadeu Mendonça, 20 anos, habilitado para dirigir há menos de um mês, conta que, ao contrário do curso teórico, as aulas práticas foram falhas. Ele reclama da falta de comunicação dos instrutores de autoescola. 

— O instrutor evita que o carro faça alguma manobra inadequada, mas não dá tantas instruções. Às vezes ele interferia sem avisar e não explicava a minha falha. Muitas vezes ele saia do carro e não me acompanhava enquanto eu treinava o estacionamento, ou falava ao telefone enquanto eu estava dirigindo. Faltou acompanhamento e mais interação. 

As reclamações de Mendonça e dos colegas que fizeram autoescola junto com ele refletem no que mais tarde outros motoristas irão chamar de "barbeiragem". No último ano, o DF registrou 4.117 acidentes de trânsito com mortes.



De acordo o instrutor Alexandre Sales, que há seis anos dá aulas para condutores já habilitados, mas que se sentem inseguros para dirigir, o principal problema desses motoristas é a dependência gerada pelo carro da autoescola, que é adaptado com pedais no lado do passageiro para possibilitar a interferência do instrutor caso o aluno faça algo prejudicial ao trânsito ou que possa causar algum acidente. 

— Quando eles tiram a carteira de motorista e saem sozinhos ficam com medo do trânsito. 

Além disso, Sales aponta que muitos candidatos não estão preparados para enfrentar o trânsito. Capacitados apenas para passar no teste, eles se sentem acomodados e amparados pelo cumprimento da carga horária exigida. O Conselho Nacional de Trânsito determina que o candidato cumpra 45 horas de aulas teóricas e 20 horas de aulas práticas. 

Para o assistente de trânsito do Detran-DF, Raimundo Lago, é comum que a habilidade para dirigir seja conquistada apenas no cotidiano. 

— No dia da prova, é verificado o grau de habilidade que o candidato tem para dirigir um veículo automotor na malha viária. Mas ele vai encontrar diversas situações que ele não encontrou no dia do exame e é com o dia a dia que ele vai se adequando. 

O especialista em segurança no trânsito condena justamente esse modelo de teste aplicado pelo Detran. Para Duarte, o exame deveria ser mais rigoroso. 

— Em alguns países, os exames chegam a durar até duas horas. O exame que é feito no Brasil é muito simples, dura cerca de 15 minutos. O examinador simplesmente olha se o condutor sabe dirigir e dirigir é muito mais do que manobrar um carro. É preciso avaliar como o condutor se comporta em situações de risco, em imprevistos que surgem no transito.

*Colaborou Isabella Tonhá, estagiária do R7



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