sexta-feira, 27 de julho de 2012

Categoria está organizando sindicato

 

Representantes dos antigos motoboys da cidade afirmam que logo deverá ser fundado um ou dois sindicatos para defender a categoria. Problemas de remuneração e desvalorização são algumas das reclamações dos profissionais

 

Redação DM

(Redação Passo Fundo / DM)


Estiveram na redação do jornal Diário da Manhã, nesta segunda-feira, 30, representantes dos motofretistas de Passo Fundo. Rui Barbosa, com 5 anos de experiência na área, foi um dos participantes, assim como Francisco Morais, que há 10 anos faz motofrete e revelou detalhes sobre a criação de sindicatos para defender a categoria: " Vão ser fundados dois sindicatos em Passo Fundo, um para o pessoal que tem carteira assinada e outro para os autônomos. Sou delegado do Sindimotos-RS (Sindicato dos Motociclistas Profissionais) de Porto Alegre e representamos a categoria, mas temos dado muito `soco em ponta de faca`"

Francisco destaca a desvalorização que a categoria sofre: " não somos considerados profissionais. Um guri faz 18 anos, pega uma moto e faz entregas a preços muito abaixo do que seria. Nós, que somos profissionais não somos valorizados. " A idade mínima de 21 anos é um dos pontos da legislação que será cobrado a partir de 2 de agosto.

O motofretista Luis Aldair, com 2 anos de experiência, reivindicou mudanças na remuneração do serviço pelas empresas da cidade: "temos empresários que não pagam o motofrete, quem paga é o consumidor. Poucas empresas pagam um salário fixo."
Sobre o curso de formação que será obrigatório a partir do dia 18 de junho, os motofretistas, que fizeram o curso, afirmam ter sido muito importante, ainda que não tenha abrangido tudo que poderia. "Eu achei que o curso foi muito proveitoso. O instrutor passou para a gente muita coisa que não sabíamos", disse Francisco.

Luis destacou que poderia ter mais conteúdo: "poderia ser um pouquinho mais completo. O curso não ensina a pilotar à noite e na chuva, mas é um bom aprendizado, que vai baixar o número de acidentes."

Todos são unânimes ao esperar que o curso seja efetivamente cobrado: "esperamos que as autoridades, a partir do dia 18, cobrem o nosso curso, para que ele tenha valor", reivindicou Luis. "Queremos que o município faça sua parte, fiscalizando, pois gastamos com placa, vistoria e curso", concordou Francisco.
Os profissionais afirmam que o curso foi pago por conta própria. Os motofretistas afirmaram que mesmo os profissionais contratados tiveram de pagar.

Outra reclamação com relação às empresas que contratam o serviço de motoboys é com relação ao frete: "tem empresas que fazem seus entregadores acelerar, colocando em risco a vida desses trabalhadores. Tem empresas que cobram R$ 3 ou mais de entrega, mas pagam R$ 1,50 para o fretista", revela Luis.

Outra questão é com relação às empresas terceirizadas: "se quisessem, os motofretistas poderiam formar sua própria equipe, montando uma firma, sem intermediários", afirma o motociclista.

Ao menos um dos sindicatos está prestes a ser montado, é o que revela Paulo Santos, motofretista há 4 anos: "por nós, já deveria estar escolhida a diretoria do sindicato. Só estaria faltando a sede. Não fizemos isso ainda pois dependemos de auxílio do Sindimotos de Porto Alegre, para orientar a chapa que está pronta para concorrer."

Mesmo com a movimentação, ainda falta adesão dos antigos motoboys. "Participamos das 6 ou 7 reuniões que aconteceram e poucos motofretistas compareceram. Havia mais representantes de empresas. Mas vamos correr atrás da participação desse pessoal, para defender a nossa categoria", revelou Paulo.

(Profissionais querem que a nova lei seja cobrada pelas autoridades / FOTO BRUNO PHILIPSPEN)

 

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