quarta-feira, 6 de junho de 2012

Redução de acidentes de trânsito: o caminho é a educação, por Gabriela Gonchoroski

 

No Brasil os acidentes de trânsito envolvendo motocicletas já estão sendo tratados pelo Ministério da Saúde e pelo Senado como epidemia; salienta-se diariamente em diversos meios de comunicação o custo financeiros destes acidentes, estima-se que anualmente gasta-se mais de 28 milhões de reais na recuperação das vítimas do trânsito. Até aí sem nenhuma grande novidade; mais não há meios metodológicos de comprovar o custo social destes acidentes, apenas estima-se que a cada ano mais de 300 mil pessoas sofrem alguma sequela física ou psicológica devido a estar envolto num destes acidentes de trânsito.
A única maneira de diminuir estes acidentes é o investimento pesado na educação para o trânsito. E não me refiro somente ao investimento financeiro, acima disto é imprescindível o investimento social; o envolvimento de todos neste esforço, que é tema de proposição da ONU, através da Década Mundial de Redução de Acidentes de Trânsito.
Já existem no Brasil caminhos a serem trilhados, falta ainda a capacitação de profissionais para trabalhar esta temática diretamente nas escolas de nível médio e fundamental. Através da Resolução 265 editada pelo CONTRAN em 2007, é possível a formação teórica dos novos condutores no decorrer do curso do ensino médio formal, o que possibilita a formação continuada e interligada com os novos valores que estão sendo adquiridos no convívio escolar. O DENATRAN aprovou em 2009 as diretrizes para a inclusão do trânsito nas escolas de educação primária e fundamental, apesar disso os professores não receberam nenhum incentivo ou curso preparatório para abordar a temática.
O sistema de formação de condutores tem se mostrado insuficiente para capacitar estes novos condutores para circular em nossos grandes centros urbanos e em nossas estradas e rodovias, refletindo isso nas estatísticas de acidentes que apontam a alta acidentalidade envolvendo jovens no Brasil.
Mais do que repensar o processo de habilitação, é preciso repensar o processo de educação, de formação do conhecimento dos nossos jovens e crianças, assim teremos a possibilidade de num futuro bem próximo formarmos condutores conscientes das suas responsabilidades.
Não se pode falar sobre redução de acidentes, sem se falar em medidas de reeducação e fixação de valores comportamentais positivos em relação ao convívio social, principalmente em relação ao trânsito.
Ainda fazendo referencia sobre os acidentes que envolvem as motocicletas pode-se afirmar que são fruto de um coquetel explosivo, onde os motociclistas são atingidos por duplos estilhaços: as lesões físicas/psicológicas resultantes destes acidentes e o preconceito social que se impõe quando se fala de trânsito.
Já tramita no Congresso Nacional projeto de lei que altera as categorias de habilitação para condutores de motocicleta, dividindo a categoria A em três categorias, conforme cilindrada da motocicleta; se aprovada esta alteração é um avanço, mais ainda será insuficiente para a redução destes acidentes, será necessário repensar a estrutura das pistas de formação de condutores, e também a implementação de aulas nas ruas, introduzindo aos poucos o convívio do aluno no trânsito; só assim começaremos a desenhar a redução dos acidentes envolvendo motocicletas.
A redução de acidentes é preocupação de todo o mundo, mais apenas alguns países foram vitoriosos nestes luta, porque estes países enfrentaram o problema com seriedade e não utilizaram-se de medidas paliativas para buscar a solução.
Eu enquanto educadora e instrutora de trânsito estou trabalhando com foco no treinamento complementar dos motociclistas, através do ciclo de treinamento elaborado pelo Sindimoto/RS denominado de MOTOCICLISTA DA COPA. É CAMPEÃO; que capacitará motociclistas recém-habilitados, motociclistas de lazer e também os motociclistas profissionais; visando a redução da acidentalidade e a moralização destes condutores.
E você? Já parou para pensar de que maneira poderá fazer a sua parte para a redução dos acidentes de trânsito? Cada um de nós é participe desta solução.

Gabriela Gonchoroski
Instrutora de Trânsito e Diretora Sindimoto

 

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