quinta-feira, 3 de maio de 2012

Quando o capacete faz a diferença

A cena terrível em sua dramaticidade cruzou o mundo pela televisão aberta e pela Internet. Nela, surge o piloto de moto GP, o italiano Marco Simoncelli, numa disputa acirrada por posições. Como são acirradas todas as disputas nesta batalha épica onde prevalecem os mais talentosos e ousados no campeonato mundial de motovelocidade. Simoncelli entra desequilibrado acima de seu limite e da moto na curva, perde a tangência, e, em desespero, tenta corrigir a trajetória da moto, em vão. Desliza dependurado na moto para dentro da curva onde é atropelado por dois competidores. O golpe no pescoço e na cabeça é devastador. Simoncelli morre na pista. Mas o que chama atenção das autoridades italianas é o fato de o capacete de Simoncelli ter se soltado no impacto, deixando cabeça e pescoço do piloto expostos.Uma investigação posterior levanta a hipótese: a imensa cabeleira crespa de Simoncelli, alvo de sarcasmo e críticas na imprensa especializada da Itália, ter contribuído para o mau ajuste do capacete na cabeça do piloto. E capacetes usados pelos pilotos de Moto GP suportam impactos superiores a 700 quilos. São feitos em fibra de carbono e custam muitos milhares de dólares a unidade. São exclusivos do mundo das altíssimas velocidades. "Essa hipótese tem que ser levada a sério e pode ser uma das causas da morte do piloto, induzida por traumatismo cranioencefálico. Porque em relação ao uso do capacete não pode haver a menor concessão. Para nada", enfatiza o engenheiro mecânico, piloto de testes e diretor da Hypermotos, Roberto Marshall.Segundo o especialista em segurança, o capacete é realmente um equipamento da máxima importância. Para Marshall, se o equipamento tivesse permanecido onde deveria estar, na cabeça do piloto, na hora do impacto, talvez a vida de Simoncelli tivesse sido preservada. "Infelizmente as cenas da TV mostram que o capacete voou no primeiro impacto. Então, algo deu terrivelmente errado", salienta o engenheiro. "Neste Brasil de legislação de trânsito frouxa que constantemente é desrespeitada, é impressionante a negligência em relação ao correto uso do capacete. Aliás, todo motociclista deve procurar, via Internet, a norma NBR 7471 da ABNT que determina quais os padrões de segurança num capacete. O desconhecimento dessa norma pode significar a diferença entre viver ou morrer num acidente com moto", enfatiza o especialista. A norma da ABNT determina, por exemplo, a resistência a impactos e a espessura da viseira, que não deve ser inferior a 1,5 mm."No entanto, há dezenas de modelos de capacetes baratos e sem qualidade à venda no Brasil, com viseira com espessura que não chega a 1 mm. Ora, essa viseira, em caso de impacto, se rompe e expõe os olhos do motociclista, além de embaçar com facilidade. E quem utiliza o capacete com viseira aberta infringe o Código Nacional de Transito e leva multa de R$ 190,00", reforça. "Por este valor se pode comprar o Maps da Vaz, que é um capacete aprovado pelo Inmetro e muito seguro", complementa.De acordo com Marshall, há centenas de modelos disponíveis aprovados mundialmente que suportam impactos de quase 1 tonelada. "É lógico que há uma variação grande nos preços", salienta o empresário. "Entretanto, ninguém precisa gastar uma fortuna para preservar sua cabeça, seu cérebro e sua vida. Basta consultar motociclistas experientes e lojistas honestos que vivenciam o mundo da motocicleta", conclui o profissional.


Fonte da notícia: Correio do Povo

 

 

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