domingo, 6 de maio de 2012

Mototaxistas estão irregulares em Goiânia


Para detectar pilotos que agem clandestinamente, AMT e BTPM realizam operação de verificação de credenciamento
Camila Cecílio e Stephani Echalar



Cerca de mil mototaxistas atuam de forma irregular em Goiânia, segundo estimativa do Sindicato dos Mototaxistas e Motoboys de Goiás (Sindimoto). O número, visto pela categoria como motivo de preocupação, é um dos fatores que resultou na operação realizada ontem na capital, pela Agência Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (AMT), em parceria com o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BTPM), com a finalidade de coibir as atividades clandestinas no transporte de passageiros em Goiânia.

Como se não bastassem as atuações irregulares, a competição entre os mototaxistas regularizados com aqueles que não possuem permissão para trabalhar no ramo tem sido o ‘combustível’ para rixas entre os trabalhadores. De acordo com o presidente do Sindimoto, Wilton Borges, as brigas em portas de casas noturnas têm sido frequentes, tudo para conseguir um cliente. Na semana passada, segundo ele, um mototaxista irregular agrediu outro, que era regularizado, com uma arma de choque idêntica à que é usada pela Guarda Municipal em Goiânia (denominada Taser). “O trabalhador direito não quer perder espaço para quem não é, por isso a violência entre eles vem crescendo”, argumenta o presidente.

Um dos requisitos para trabalhar como mototaxista na capital é ter ficha limpa na polícia. Por essa razão, segundo afirma o presidente do Sindimoto, a maioria dos clandestinos não consegue a regularização para atuar na área, de acordo com o presidente do Sindimoto. O fator representa, segundo o presidente da Federação dos Mototaxistas de Goiás (Fenamoto), Robson Alves Paulino, outro perigo. “É aconselhável que os usuários desse tipo de transporte sempre peçam ao condutor o crachá de autorização para realizar aquele trabalho”, recomenda Paulino.

Os dois órgãos voltados à categoria enxergam com tristeza a situação atual dos profissionais do ramo, principalmente pela violência. “Fazemos tudo certinho, pagamos nossos impostos, por isso queremos respeito e fiscalização para quem atua clandestinamente nesse meio”, destaca Wilton Borges. Para o presidente da Fenamoto, além de a fiscalização fazer jus aos impostos pagos pelos condutores legalizados, também é importante chamar a atenção para a segurança. “Os irregulares não têm habilitação para transportar passageiros nem seguro de vida para os mesmos”, frisa.

Fiscalização
A operação realizada pela AMT, juntamente com o Batalhão de Trânsito, esteve em diversos pontos de Goiânia na tarde de ontem, como, por exemplo, na Avenida Leopoldo de Bulhões, no Setor Pedro Ludovico, na Avenida Urú, no Parque Amazônia, e na Avenida Olinda, no Jardim Novo Mundo. A diretora do Departamento de Fiscalização de Posturas e Transportes da AMT, Marlane Fraga, afirma que a ação atende não só o Sindimoto, mas também a necessidade que a agência tem em fiscalização rotineira. Até o final da noite de ontem, não havia um balanço da operação.
Há 11 anos na profissão, o mototaxista Israel da Silva, 36, apoia a fiscalização e acredita que a frequência de operações desse tipo deveria ser maior. Para o mototaxista, a fiscalização é importante também por causa da competição imposta nos preços pelos clandestinos. “Como não pagam impostos, eles podem diminuir as tarifas para os usuários e os condutores legalizados não conseguem seguir a baixa dos preços”, explica.

Apoio
Os representantes da categoria, em Goiás, garantem que são totalmente a favor de ações como essa. “Nós temos nos mobilizado para conseguir os nossos direitos e combater as ilegalidades, que acabam por nos afetar diretamente”, salienta Wilton Borges. Ambas as entidades ressaltam que, para conseguir a licença, os mototaxistas precisam ter certidão criminal e atestado de boa antecedência; curso de direção defensiva (com duração de 50 horas); seguro de vida tanto para o condutor quanto para o passageiro; colete com faixa refletida; dois capacetes com nome e tipo sanguíneo do condutor; placa vermelha; protetor de escapamento; mata-cachorro (proteção do motor do veículo) e antena parapipa.

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