segunda-feira, 14 de maio de 2012

FROTA DE MOTOS QUADRIPLICA NO ABC

Tiago Oliveira

Número de motocicletas aumentou mais de 300% na região entre 2001 e 2011 / Foto: Forlan Magalhães

 

 

O ABC registrou expressivo aumento no número de motocicletas em circulação nos últimos dez anos. Dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) revelam que o crescimento é superior ao aumento da frota de veículos no período. O número de motocicletas quadriplicou na região entre 2001 e 2011. Passaram de 45,2 mil para 183,2 mil em uma década – crescimento de quase 305%. No mesmo período, a quantidade de automóveis na região aumentou 86%.

Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra foram os municípios que mais ajudaram a puxar a expansão na frota: crescimento de 527% e 736%, respectivamente, nos últimos dez anos. A explicação para o fenômeno está na ponta da língua dos profissionais que utilizam diariamente as motos. “Esse grande aumento vem por conta do trânsito. Infelizmente, na grande cidade é cada vez mais inviável ter um carro”, avalia o diretor do Sindimoto ABC (Sindicato dos Motociclistas do ABC), Márcio Marinho de Castro. Ao contrário do que ocorreu com a frota de motos, o ritmo de crescimento da população no ABC foi de apenas 8% entre 2001 e 2011.

A entidade atua há 12 anos na região e acompanhou de perto o crescimento da frota nas sete cidades. Tanto que o número de associados deu um salto na última década: Passou de mil para cerca de 9 mil neste ano. “O emprego de motociclistas aumentou muito. Hoje o motoboy carrega de tudo, desde um simples documento até um órgão”, avalia Castro.

A facilidade de obtenção de crédito tem a parcela de responsabilidade no crescimento da frota de motos. O aumento do poder aquisitivo, somada à facilidade de obtenção de empréstimo acaba servindo como estímulo para que a moto seja escolhida como meio de transporte. “O volume de crédito aumentou muito. Chegamos a ter há alguns anos crédito de 20% do PIB, hoje estamos passando de 30%. As condições para adquirir crédito facilitaram muito a aquisição desses bens”, afirma o economista Leonel Tinoco Netto.

Perigo - O aumento expressivo da frota de motos reflete também em um dado preocupante: A ocorrência cada vez mais comum de acidentes, muitos deles fatais, envolvendo motociclistas. Em apenas um ano, o número de internações por acidentes de motos no ABC cresceu 33,8%, passando de 912 em 2010 para 1,2 mil em 2012, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde. Os dados levam em conta internações custeadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) nas sete cidades.

De acordo com a seguradora Líder, responsável pelo seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), no período de apenas um ano, o número de indenizações pagas subiu 27% no Estado, o que inclui casos de morte, invalidez permanente e gastos com despesas médicas.

Um dos motivos para os números alarmantes é o despreparo dos municípios para absorver a frota em ascensão. “Nossas vias públicas não estão preparadas para esta quantidade de motocicletas”, avalia o presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP, Maurício Januzzi. “No ABC não há motofaixas como em algumas regiões de São Paulo”, aponta. “A fiscalização também é importante para verificar o uso de apetrechos de segurança, como capacete”.

Cidades não estudam criação de faixas exclusivas
A instalação de faixas exclusivas para motos – medida que auxiliaria na diminuição do número de acidentes, de acordo com especialistas – não deve virar realidade nas cidades do ABC tão cedo. Os municípios da região não estudam criar corredores para motocicletas e também não há perspectiva de elaboração de leis para regulamentar a profissão de motoboy.

É o caso, por exemplo, de Santo André, que informou que não tem estudos para implantação de corredores exclusivos. São Bernardo também não tem previsão de instalação de faixas destinadas às motos.

A Prefeitura de São Paulo criou motofaixas nas avenidas Sumaré e na rua Vergueiro. No entanto, a medida não resultou em diminuição no número de acidente e a idéia de ampliar os corredores exclusivos por outras vias foi descartada.

No ano passado a Prefeitura da capital publicou medidas para regulamentar o trabalho dos motoboys na cidade, com medidas voltadas à segurança do condutor como a exigência de uso de colete com faixas refletoras e utilização de moto de cor branca.

Em 2011, o Consórcio Intermunicipal elaborou uma minuta de projeto sobre a regulamentação da profissão de motoboy no ABC. As Prefeituras se comprometeram a criar leis para estabelecer regras para o uso de motocicletas, mas até o momento nenhum projeto foi apresentado pelos municípios.

 

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