segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cresce número de morte com moto em SP e inexperiência é uma causa

A grande maioria das vítimas era de pessoas que usavam motos como meio de locomoção. O levantamento mostrou que apenas 8% dos mortos eram motoboys, que são mais acostumados a guiar motocicletas.

Patrícia TauferSão Paulo

Os novos números comprovam e assustam. Na maior cidade do país, aumentou o número de mortes de motociclistas. O surpreendente é que essas vítimas não são os motoboys, os motoristas profissionais que passam o dia cruzando a cidade. São pessoas que usam a moto como meio de transporte.

A grande maioria das vítimas era de pessoas que usavam motos como meio de locomoção, para ir para o trabalho ou para a escola. O levantamento mostrou que apenas 8% dos mortos eram motoboys, que geralmente são mais acostumados a guiar motocicletas.

O vendedor Fábio Dias de Oliveira comprou a moto em fevereiro. Em abril, deu entrada hospital com a perna fraturada. O jovem de 24 anos não sabe quando vai voltar para casa, mas não pensa em voltar para a moto. “A gente pensa em comprar um carro. Moto é muito perigoso, coisa de segundo que aconteceu comigo, não pude controlar”, lembra.

As motocicletas são ágeis, mas também perigosas. O problema é que rodar sobre duas rodas exige muito mais do que equilíbrio. Ainda mais em um trânsito tão carregado quanto o de São Paulo. Mais pessoas estão morrendo em acidentes envolvendo motocicletas. A maioria não é composta por motoboys.

Um levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego da capital apontou aumento de 7% no número de motociclistas mortos em 2011, em relação ao ano anterior. Foram 512 mortes. Apenas 8% usavam a moto como ferramenta de trabalho.

O porteiro Paulo Henrique de Souza Silva sempre quis sair do aperto do ônibus. Só não imaginava que poderia acabar em um quarto de hospital. O acidente a caminho do trabalho foi em 2009. Ficou um ano parado. Agora, voltou ao Hospital das Clínicas para tratar de uma infecção na perna acidentada. “Eu me arriscava pouco, mas tinha hora em que acabava correndo um pouquinho mais”, confessa.

A reabilitação é demorada e trabalhosa. Segundo uma pesquisa do Hospital das Clínicas, referência nesse tipo de atendimento, 40% dos acidentados com motos precisam passar por complexas cirurgias e longos tratamentos de fisioterapia. No Hospital das Clínicas, o atendimento a esse tipo de paciente aumentou 14% nos últimos cinco anos. A maioria é homem, com idade entre 20 e 40 anos.

“Nos últimos três anos, o perfil desse paciente mudou. É aquela pessoa que usa a motocicleta como meio de transporte, locomoção, na cidade de São Paulo. Um número não desprezível de acidentados é de pacientes que estavam ou tinham pouco tempo de habilitação e utilizando a motocicleta”, revela o diretor clínico do Instituto de Ortopedia do Hospital de Clínicas, Jorge dos Santos Silva.

O aumento no número de acidentes com motociclistas levou o hospital a criar um blog na internet, para alertar as pessoas sobre o uso desse meio de transporte perigoso.

“É um espaço onde as pessoas podem trocar experiências, dar os seus depoimentos e, dessa maneira, contribuir de alguma forma para minimizar o problema para que as pessoas se conscientizem de que andar de motocicletas exige cuidados e que esses cuidados são importantes para que o numero de vítimas diminua cada vez mais”, declara Jorge dos Santos Silva, do Instituto de Ortopedia do Hospital de Clínicas.

As lesões mais graves causadas por acidentes de motos, geralmente, são no crânio e na coluna.

A Companhia de Engenharia de Tráfego informou, em nota, que aumentou a fiscalização para tentar frear o avanço no número de acidentes com motos na capital paulista. Também colocou em funcionamento, seis radares portáteis, do tipo pistola - que registram imagens- para flagrar excesso de velocidade cometido por motociclistas.

 

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