domingo, 6 de maio de 2012

Campanha contra mototaxistas ilegais



Nas ruas de Sobral, é crescente o número de pessoas que utiliza o serviço de transporte nas motocicletas. Moradores afirmam que, para os bairros mais afastados, os veículos legalizados colocam dificuldades
FOTO: JÉSSICA RODRIGUES
Sobral A Prefeitura Municipal desta cidade lançou a campanha "Mototáxi Pirata: não se deixe levar". A clandestinidade do serviço de transporte no Município é considerada um grande problema pela administração. A população, por sua vez, encontra-se dividida entre os serviços legalizados e os clandestinos.

Os moradores de bairros mais distantes do Centro reclamam dos mototaxistas licenciados. "Os mototaxistas licenciados pela Prefeitura sempre querem dinheiro a mais para uma corrida do Centro pra cá. Isso quando querem vir. Dependendo do dia, eles não fazem a corrida mesmo que se pague a mais", reclama a moradora do bairro Cohab Três, Roberta Sousa.

Alguns moradores de outros bairros preferem usar os mototaxistas não legalizados. De acordo com eles, os motociclistas irregulares aceitam todas as corridas pelo preço tabelado e tratam melhor os passageiros. Dizem também que são mais fáceis de encontrar nas ruas, pois fornecem o número do telefone celular de forma mais acessível.

"Quando os mototáxis licenciados aceitam uma corrida para longe, fazem com má vontade. Ultrapassando o limite de velocidade e avançando sinais vermelhos", comenta uma moradora do bairro Sinhá Sabóia, que prefere não se identificar .

Lançada no último mês de abril, a campanha busca conscientizar a população dos riscos do da utilização dos serviços de mototaxistas não cadastrados pela Prefeitura. Em parceria com a Polícia Militar, o programa aumenta a fiscalização e postos para registro de denúncia.

Procedimento jurídico

De acordo com o coordenador de Serviços e Equipamentos Urbanos, José Prado, o motociclista suspeito é abordado após denúncia. Autuado em flagrante, o mototaxista chamado de "pirata" é levado para a Delegacia Civil, onde é feito um Termo de Ocorrência Circunstanciada (TCO). Após o procedimento, o acusado poderá responder no âmbito jurídico.

O coordenador informou ainda que, dentre os denunciados, existe um alto índice de pessoas com ficha criminal. Os motociclistas também guiam sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e, muitas vezes, o licenciamento do veículo está vencido. De acordo com as denúncias, os principais pontos dos mototaxistas piratas são nas proximidades da Fábrica Lassa, o Posto 13, na BR- 222, e próximo ao Pinheiro Supermercado.

O presidente do Sindicato dos Mototaxistas, José Oliveira Vitorino, alerta sobre o uso de mototaxistas não legalizados. "Ao utilizar um mototáxi licenciado, o passageiro tem a segurança da numeração e crachá. Através dessas informações, o mototaxista pode ser localizado dentro da cidade", explica.

O presidente do Sindicato complementou que, de acordo com a lei municipal, eles trocam obrigatoriamente de moto a cada quatro anos e participam de cursos de capacitação. É obrigatório que não tenha também passagem pela Polícia.

Sobre a campanha da Prefeitura, ele afirma ser uma boa proposta, mas que ainda não foi posta se efetivar na pratica.

As corridas dentro da cidade têm o preço tabelado em R$ 2,50, independente do destino a ser escolhido pelo passageiro. Esse preço é o mesmo praticado em cidades pequenas, como Massapê e Tianguá.

As ruas em manutenção constante também incomodam os profissionais da área. Em horários de pico, algumas das principais rotas estão interditadas para manutenção.

Para o mototaxista Emanuel Arruda, a profissão traz muitos riscos. "Os carros não respeitam o profissional, a gente encontra com muitas pessoas sem carteira de motorista atrapalhando o trânsito e pondo em risco outras pessoas", avalia.

Sobre a troca de moto e participação em cursos, ele complementa: " A Prefeitura de Sobral não ajuda nessas questões, tudo sai do no nosso bolso. Recentemente, participamos de um curso de Capacitação em Direção Defensiva. Custou R$ 150,00 e foi pago pela gente."

Outro mototáxi, Reginaldo Torres, avalia que a população pega um mototáxi não regularizado e acredita que aquela é a atividade principal dele. "Mas acabam participando indiretamente do tráfico de drogas que alguns piratas realizam", denuncia. O coordenador da Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Município (SPLAM) confirma a denúncia. Dentre os mototaxistas piratas denunciados, grande parte estava envolvida com o tráfico de drogas.

Como medida para combater os mototaxistas piratas, a dupla lança uma sugestão: "A Prefeitura poderiam aumentar o número de vagas. Atualmente somos 634 mototaxistas, e a maioria utiliza a profissão como atividade secundária". Há cinco anos o número de vagas não aumenta.

Atualmente, o Sindicato de Mototaxistas encontra-se em negociação com a Prefeitura para estabelecer um novo preço para as corrida

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