segunda-feira, 14 de maio de 2012

Acelerar é fácil, parar é que são elas!

Acelerar e fazer curvas com a moto bem inclinada é a primeira coisa que um motociclista deve aprender se quiser ser considerado bom, certo? ERRADO!

Infelizmente, a vontade de querer parecer habilidoso e até mesmo a empolgação com as fortes emoções que uma motocicleta é capaz de proporcionar fazem muita gente acreditar nessa besteira.

Muito antes de acelerar forte ou aprender a fazer curvas raspando a pedaleira no chão, é imprescindível que um motociclista saiba usar corretamente os freios de sua moto, pois, acredite, eles podem salvar sua vida. E mais: motociclista bom de guidão é aquele que não cai e nem sofre acidentes.

Como nas reações de emergência uma fração de segundos pode salvar vidas, a primeira coisa a ser feita é, além de redobrar a atenção na pilotagem, começar a frear corretamente. Para isso é preciso ajustar os freios da motocicleta de acordo com quem irá utilizá-la, tudo para que o piloto consiga acionar o mais fácil e rápido possível o manete e o pedal de freio.

Os manetes de freio e embreagem devem ser posicionados seguindo a "linha dos antebraços", ou seja, ligeiramente abaixo das pontas do guidão. Dessa maneira basta esticar os dedos para acionar os comandos de freio e embreagem.

Quanto ao pedal do freio traseiro, ele não pode ser posicionado muito abaixo da linha de apoio dos pés sob pena de tornar o acionamento mais demorado, e nem ajustado numa altura superior ao das pedaleiras, pois dessa forma não seria possível apoiar os pés sobre elas sem que o freio traseiro fosse acionado.

QUAL FREIO UTILIZAR,
DIANTEIRO OU O TRASEIRO?

A pergunta pode até parecer idiota, mas atormenta a cabeça de muitos motociclistas, mesmo os com mais experiência. Isso porque reza lenda que o freio dianteiro, quando acionado com muita força, pode arremessar o piloto por cima do guidão, ou mais absurdo ainda, fazer com que ele caia com a moto, os dois dando uma cambalhota no melhor estilo da ginástica olímpica.

Por esse motivo, muitos motociclistas utilizam o freio traseiro em uma proporção bem maior que o dianteiro, sendo que, na maioria das vezes, o correto é exatamente ao contrário, ou seja, o freio dianteiro é o principal responsável por parar uma motocicleta. Basta observar a máquina para comprovar. Das motos pequenas às superesportivas, é na roda da frente que se localiza o maior e mais poderoso sistema de freio.

Certo

Lendas à parte, o uso do freio dianteiro é praticamente 100% responsável por parar a moto, cabendo ao traseiro ser utilizado apenas para equilibrar a frenagem. Como isso acontece? Simples, o início da frenagem é feito com o freio traseiro para que seja exercida maior força sobre a roda traseira, aumentando o seu contato com o piso, mas é claro que isso deve ser feito sem que a roda trave. Em seguida, é acionado o freio dianteiro, que no início recebe maior pressão sobre ele; à medida que a moto vai perdendo velocidade, essa pressão exercida pelos dedos no manete deve ser diminuída – para que dessa vez a roda dianteira não trave – até o momento da parada total da moto.

Errado

A frenagem em curvas – isso mesmo, frear em curva é possível! – é outra situação em que o freio correto a ser utilizado é o traseiro, e não o dianteiro. Como a causa disso está relacionada à física – pois quando se usa o freio dianteiro na curva, a moto tende a ficar de pé novamente e seguir em linha reta –, essa regrinha é aplicada a todos os tipos de moto, desde as esportivas às customs.

Certo

Mas fique atento, pois esse tipo de frenagem só é possível de ser feito até próximo ao meio da curva e sempre de maneira suave.

Errado

INTIMIDADE COM A MAGRELA

Como os tipos de freio e o poder de frenagem que eles oferecem podem variar muito, é preciso ficar atento à sensibilidade de cada um. Para entender isso de uma maneira mais clara, basta imaginar quanta força utilizar num manete de freio de uma moto com freio a tambor e outra que seja equipada com freio a disco duplo, como a Honda CB 600 F Hornet.

Nas motos com freio a tambor na roda dianteira, o poder de frenagem está longe de ser considerado bom. Por isso, é preciso atenção redobrada na distância em relação aos outros veículos e também à velocidade, afinal, correndo muito você dificilmente terá espaço suficiente para conseguir parar sua moto e evitar colisões.

Felizmente nas motos com freio a disco, a reação ao acionamento costuma ser mais sensível e poderosa que as motos a tambor. Pouca força no manete é o suficiente para sentir que o freio já está atuando, exigindo cuidado para que, em frenagens mais bruscas (típica das que ocorrem quando você toma uma fechada), a roda não trave e resulte em um indesejado e dolorido tombo.

Em relação ao freio traseiro, lembre-se que ele deve ser tocado apenas na hora das frenagens, pois pilotar com o pé apoiado ou simplesmente encostado no pedal de freio pode causar desgaste prematuro, tanto das pastilhas e lonas quanto dos discos e panelas, sem falar na perda da eficiência do sistema por superaquecimento e até mesmo no aumento do consumo de combustível.

Por esses motivos, simular frenagens de emergência com sua moto lhe dará noção de quanta força é necessária aplicar no manete de pedal de freio, quanto espaço será preciso para pará-la e como controlá-la durante a desaceleração.
JUÍZO, MENINO!

Mas de nada adiantará treino e habilidade se não houver consciência e responsabilidade por parte de quem conduz a motocicleta. Ela deve estar em boas condições, com os sistemas de freio funcionando perfeitamente, além do que, o pneu não pode estar careca, caso contrário torna a já difícil frenagem na chuva algo praticamente impossível de realizar. Isso porque sem os sulcos – aquelas ranhuras no pneu -, a frenagem em piso molhado vira uma verdadeira loteria, já que a água entre o asfalto e o pneu não é escoada, fazendo com que o atrito ente eles diminua em aproximadamente 40%.

O "juízo" do motoprofissional em não abusar da velocidade também deve estar presente na hora de realizar manobras, como mudanças de faixas e de trafegar no corredor formado entre as fileiras de carros. Isso porque a reação dos outros veículos à sua volta é imprevisível e nunca se sabe quando alguém vai mudar de faixa ou até mesmo quando o motociclista à sua frente em um corredor vai frear bruscamente. Portanto, o mais seguro é rodar numa velocidade mais baixa que lhe dê condições de identificar o perigo e frear a tempo de evitar, além de uma possível colisão e perdas materiais, que algo pior aconteça com você.

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