sexta-feira, 20 de abril de 2012

Motos rodam a 139 km/h em SP


SÃO PAULO

A moto passou a 139 km/h e não foi em uma rodovia deserta, longe da fiscalização. Foi na cidade de São Paulo, na Avenida Paulo VI, no Sumaré, zona oeste, às 10h54 de uma segunda-feira. Acabou flagrada por um dos novos radares-pistola da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Os equipamentos monitoram a velocidade de motocicletas desde o fim do mês passado. O episódio da Paulo VI, cujo limite é de 60 km/h, não é raro. Estatísticas da CET revelam que flagrantes parecidos foram registrados em outras vias da Capital.

Nas últimas três semanas, motociclistas acima de 120 km/h foram observados também na Marginal do Pinheiros (onde o limite é de 70 km/h na pista local e de 90 km/h na expressa) e nas Avenidas dos Bandeirantes (60 km/h), na zona sul, e Luiz Dumont Villares (60 km/h), na zona norte. Todos esses motociclistas flagrados em alta velocidade pela fiscalização em horários comerciais de dias úteis levarão multa gravíssima, de R$ 574,62, e terão o direito de dirigir suspenso.

O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), classifica de "criminoso e suicida" o ato de trafegar tão rápido. "Essas pessoas são, no mínimo, irresponsáveis. Não têm consciência de que estão inseridas em uma civilização". Figueira defende punições mais rigorosas e diz que a Polícia Militar poderia, em parceria com a CET, parar o veículo imediatamente após o flagrante. Ele também avalia que a CET deveria fiscalizar o trânsito nas madrugadas e aos fins de semana.

O órgão, porém, não tem planos para ampliar a atuação e mantém a fiscalização nos dias úteis, pela manhã e no fim de tarde. "Ainda estamos fazendo a adequação e o treinamento (dos agentes) e analisando os relatórios para, só depois, expandir o projeto", diz Dulce Lutfalla, assessora de Fiscalização da CET.

De acordo com Dulce, as motos identificadas pelos radares-pistola não são de pouca potência - como as de 125 cilindradas, muito usadas por motoboys. A CET não divulgou, porém, os modelos flagrados. "Provavelmente, os condutores são pessoas pós-graduadas, talvez executivos, que ganham bem para ter motos que consigam chegar a tais velocidades", diz Figueira.

O presidente do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo (Sindimoto-SP), Gilberto Almeida dos Santos, repreende os excessos, "seja lá de quem for". "Com uma velocidade dessas, nem na estrada se pode andar", diz o sindicalista.

 

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