segunda-feira, 12 de março de 2012

Trânsito parado na Barra faz mototáxis faturarem

Antes restrito ao sobe e desce da Rocinha, serviço tem a adesão de moradores de bairros vizinhos, que o contratam até para cruzar a cidade, fugindo do tráfego

POR Bruno Menezes

O canteiro de obras que se tornou a Barra da Tijuca, com impacto profundo no trânsito, ampliou os domínios dos mototáxis da Rocinha. Antes subindo e descendo as vielas da comunidade de São Conrado, as motos invadiram as largas — mas cada vez mais congestionadas — avenidas do bairro vizinho e já alçam voos mais longos, cruzando a cidade. Tudo graças à agilidade do serviço, que praticamente passa batido pelas obras dos BRTs e do metrô no Jardim Oceânico.

Logo na entrada da Via Ápia, principal rua de acesso ao interior da comunidade, três pontos de mototáxis disputam passageiros para os lugares mais variados. “É bem parecido com os táxis comuns, mas a agilidade conta muito na hora da cobrança. E o preço pode ser negociado em muitos casos”, conta o mototaxista Thiago da Silva Santos, 22 anos, que trabalha há sete na comunidade. “Comecei quando ainda era menor. Antes da pacificação, a gente aprendia a pilotar e logo começava a ganhar dinheiro. Hoje, só temos profissionais habilitados”, garante.

O mototaxista José Luís Pereira dedicou os últimos 10 anos a transportar passageiros | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia

Segundo os mototaxistas, os destinos mais procurados são o Centro do Rio, aonde se chega por valores em torno de R$ 25, Copacabana (R$ 28), Tijuca (R$ 32), Niterói (R$ 60), Barra Shopping (R$ 15) e Rio das Pedras (R$ 20). “Outros dois destinos muito pedidos por aqui são o Aeroporto Internacional (R$ 45) e a Rodoviária (R$ 25)”, conta o mototaxista José Luís Pereira, 30 anos, 10 na profissão.

Até o músico Gabriel, O Pensador aderiu. “Eu apoio. Um dia, atrasado para ir para o aeroporto, tive que usar o serviço. E ainda fiz um vídeo do engarrafamento, para provar ao amigo que encontraria na viagem que não estava mentindo”, lembra o cantor, que mora em São Conrado e virou usuário frequente do transporte sobre duas rodas.

O corretor de valores Daniel Pereira, de 26 anos, só conseguiu se encontrar com cliente no Aeroporto Santos Dumont por causa do mototáxi. “Fomos quase voando para o aeroporto. Cheguei muito rápido”, contou.

Ao menos 30% dos moradores da Rocinha vão trabalhar de mototáxi

De acordo com o presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, o Leo, pelo menos 30% dos moradores da Rocinha utilizam mototáxi para ir até o trabalho, em diferentes pontos do Rio de Janeiro. “Principalmente quando estão atrasados. Para circular dentro da comunidade então, o serviço é utilizado por todos”, garante.

Maria Alves de Araújo, de 35 anos, gerencia um restaurante na Barra da Tijuca. Para chegar à Praça do Ó, no bairro da Zona Oeste, Maria sempre chama um mototáxi. “Se não for assim, não chego no trabalho de jeito nenhum”, afirma ela.

A vendedora Marília dos Santos Aguiar, de 25 anos, também usa o serviço para fugir dos constantes engarrafamentos da Autoestrada Lagoa-Barra em direção aos outros bairros da Zona Sul da cidade, quando está atrasada.

“Eu preciso chegar na loja onde trabalho, no Leblon, até as 9h30. É o horário em que as pessoas estão indo para o Centro e o engarrafamento é gigantesco. Tem dias em que chego a perder até uma hora para chegar lá de ônibus. Com o mototáxi, chego em 15 minutos. É perfeito”, justifica Marília.

Normas em estudo no Rio

A atividade de mototaxista foi regularizada por lei federal em julho de 2009. Entre outras medidas, o texto fixava idade mínima de 21 anos e pedia experiência de dois anos na categoria. Resolução do Contran de 2010 ainda exigiu curso específico para transportar pessoas e mercadorias. Há um ano, entrou em vigor lei de apólice que determinava cobertura mínima de R$ 50 mil para acidentes. O prefeito Eduardo Paes afirmou, na sexta-feira, que a prefeitura estuda regulamentar o serviço de mototáxi.

“Hoje, mototáxi é mal necessário até para quem vive fora da favela”, define o presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima. “O serviço existe e tem atraído cada vez mais. Já levei passageiro até para Aparecida, em São Paulo”, garante o mototaxista José Luís Pereira.

Mais obras e aumento da frota na Barra

Não são apenas as obras que fazem o trânsito na Barra parar. O aumento do tráfego de veículos chega a 17% em quatro anos. Em 2009, 101.350 veículos passavam todos os dias no Túnel Zuzu Angel. Agora, este número pulou para 118.415. O movimento também é maior em trechos das avenidas das Américas e Ayrton Senna. Estão em andamento as obras da Linha 4 do metrô e dos corrdores exclusivos de ônibus Transcarioca (Alvorada-Tom Jobim), Transolímpica (Recreio-Deodoro) e Transoeste (Jardim Oceânico-C. Grande).

 

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