segunda-feira, 26 de março de 2012

Rock, fé, motocas e segurança

1ª edição do Moto Vida reúne no Parque Vitória Régia motociclistas apaixonados, mas também preocupadosLuly Zonta
luly.zonta@bomdiabauru.com.br

Cristiano Zanardi/Ag BOM DIAPadre Edson Roberto Codato, da paróquia de São Brás, comprou uma “motinha”

Parecia uma grande reunião festiva de motoclube o primeiro Moto Vida, evento aberto à comunidade realizado na manhã de ontem, no Parque Vitória Régia. Teve rock com as bandas XYZ, Acústicos e Calibrados e Midnight, novidades do mercado, motos e triciclos, um mais personalizado que o outro, e muitas dicas de segurança dadas por profissionais das pistas.

A iniciativa da Prefeitura e Polícia Militar tem como objetivo a conscientização sobre a importância da prevenção de acidentes com motos, que já mataram cinco este ano em Bauru. Piloto de motos desde os 18 anos, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho prometeu estudar a realização de novas edições para que a região participe.

“Conseguimos unir a adrenalina do rock e da motocicleta para mostrar como se deve pilotar com prudência. Essa juventude é carente disso e quando pode ter acesso aos acidentes que trazemos em imagens, acaba se sensibilizando e tomando mais cuidado”, comenta o comandante, que gostaria de ter um evento como o de ontem a cada dois meses.

Aos 16 anos, o piloto bauruense Dudu Rossini foi para o evento na garupa do triciclo do pai, o representante comercial Eduvaldo Dias da Silva, 49. “Não é fácil enfiar um filho numa pista. A mãe [Claudia] quase morre, todos nós gostamos muito e encaramos o esporte com responsabilidade.”

Dudu, que compete em Interlagos na categoria 250, sonha em fazer 18 anos para pilotar na rua. Apesar de subir numa moto desde os 13, sabe que não pode guiar sem habilitação e colocar vidas em risco. “Até hoje, só andei nas pistas ou dentro da chácara da família, com meus pais perto, de capacete, bota e macacão. Meu pai dá força, mas cobra responsabilidade”, conta o garoto, que foi prestar atenção à palestra dos pilotos profisisonais Marcelo Sonna Cardoso e Beto Guizardi, destaques do Supermotard (circuito com partes de asfalto e de terra).

Os freios sempre em ordem e os cuidados com a frenagem foram os primeiros pontos enfocados por Marcel, que teve Guizard como piloto de demonstração. Ele citou que as curvas são um convite aos acidentes e um bom motociclista jamais deve desacelerar em cima. Brecar sobre areia ou óleo também oferece riscos, por isso quanto mais devagar se andar, melhor. Também lembrou que a troca de viseiras de capacete, que custam R$ 5, pode salvar vidas. Já Guizard alertou para o perigo dos corredores de trânsito e as ultrapassagens. “Não há freio que consiga parar quando você dobra a velocidade ultrapassando. Todos precisam saber limites e habilidades e lembrar que tem alguém em casa o esperando.”

Participante ilustre, o padre Edson Roberto Codato, da paróquia de São Brás, revela que comprou uma moto no sertão da Bahia há 15 anos. Hoje celebra missas em motoclubes. Ele chega aos lugares sobre o triciclo que ele mesmo montou e colocou Nossa Senhora Aparecida como talismã. Antes de cada viagem revela que a conversa com Deus leva pelo menos 10 km.

 

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