segunda-feira, 12 de março de 2012

Mulher no volante, perigo distante

Publicado em 10/3/2012, às 19h08

Última atualização em 10/3/2012, às 19h08

Júlio Amaral

Na direção: Ana Cristina guia táxi há oito meses e afirma que mercado está se abrindo para as mulheres

Júlio Amaral

Volta Redonda e Barra Mansa

As mulheres dirigem melhor do que os homens. A afirmação é comprovada através de estatísticas e depoimentos de especialistas em trânsito. Apresentada durante a semana no site do Diário do Vale, com o item "Interatividade", os internautas puderam dar suas opiniões sobre a mulher na direção. Baseado na opinião e dúvidas dos internautas, o jornal procurou responder a maioria das perguntas entrevistando mulheres, corretores de seguro, funcionários de auto-escolas e mulheres motoristas.

É estatisticamente comprovado que as mulheres causam menos acidentes de trânsito, e consequentemente, menos mortes, o que explica por que o custo do seguro de automóvel é mais barato para as mulheres.

Respondendo à internauta Magna, que gostaria que fosse apresentado estatísticas sobre acidentes envolvendo mulheres, de acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito(Denatran), desde 2004 houve um aumento de 44% de mulheres habilitadas, e no início de 2010 pra cá aumentou ainda mais o número de mulheres tirando a primeira habilitação.

Estatísticas do boletim de registro de acidentes de trânsito(BRATs) no período de 01/08/2009 à 29/02/2012 emitidos pela Guarda Municipal de Volta Redonda, informou que do total de acidentes sem vítima neste período, 2.237 envolveram mulheres e 9.562 envolveram condutores masculinos.

Na opinião do chefe de operações da Guarda Municipal de Volta Redonda, inspetor Silvano Teixeira de Paula, apesar do quantitativo do sexo feminino ser menor no trânsito, a mulher é mais controlada, menos impulsiva e menos agressiva que o homem, se preocupando mais com as regras de trânsito, o que contribui para que o seu envolvimento em acidentes seja menor.

Dos 45 milhões de motoristas no Brasil, quase 15 milhões são do sexo feminino, e segundo o Denatran, 71% dos acidentes são provocados pelos homens e 11% pelas mulheres, sem contar que 70% das multas são para motoristas do sexo masculino. Os dados revelam ainda que a mulher tem mais precaução, não avança sinais, e não deixa de usar o cinto de segurança.

Segundo Mara Adriana, secretária de uma auto-escola do bairro Aterrado, a procura pela primeira habilitação tem aumentado muito entre as mulheres, quase se equiparando aos homens, já em relação à troca de categoria a procura é menor que os homens.

Para o instrutor de auto-escola Alzino Costa Junior, a procura de mulheres pela primeira habilitação aumentou em 40% nos últimos anos. O instrutor afirma que para aprender a dirigir o homem já quer fazer logo as manobras de trânsito, já a mulher é mais atenciosa, ela escuta primeiro, para depois fazer as manobras.

Já no caso da avaliação para a prova prática, o índice de reprovação continua mais alto entre as mulheres; o instrutor acredita que é por causa do nervosismo.

Já no trânsito, Alzino afirma que a mulher é mais habilidosa e mais atenta, razão pela qual se explica por que os homens estão envolvidos em mais acidentes que as mulheres.

Na opinião de Júlio César, instrutor de aula prática e teórica de uma auto-escola em Volta Redonda, a diferença maior entre um homem e uma mulher ao volante é que a insegurança da mulher faz ela ficar mais prudente no trânsito, com isso ela normalmente não avança o sinal, não bebe e se envolve em menos briga de trânsito. Atualmente 79% dos acidentes com mortes no trânsito são de condutores masculinos, e o seguro do veículo para homens nos últimos anos tem sido mais caro em razão destas estatísticas.

O número de habilitações também tem aumentado muito entre as mulheres nestes últimos anos, confirma o instrutor Júlio, em algumas salas de aula 60% dos alunos são homens e 40% mulheres, mas tem sala que o número de alunos se igualam por sexo.

Seguro mais barato para elas

Confirmando o comentário do internauta Paulo Roberto, que concorda com as seguradoras em darem descontos às mulheres, o DIÁRIO DO VALE escutou a gerente administrativa de uma corretora de seguros de Volta Redonda, Daniele Gonçalves, que trabalha com mais de 10 seguradoras, e que explica os motivos que levam uma corretora a apostar no sexo feminino.

Segundo Daniele, a maior parte das seguradoras tem um desconto quando o condutor é do sexo feminino, não importando a idade. As seguradoras analisam que como a mulher é mais prudente, tem mais consciência, pois como dirigem mais com os filhos, ela já tem uma medida de segurança maior. E

m razão disso uma certa seguradora criou um produto específico para as mulheres, chamado "Auto Mulher", que além do desconto normal que a seguradora já dá para a mulher ela também disponibiliza alguns benefícios exclusivos para este público, como o serviço de motorista substituto, que consiste em enviar um motorista para conduzir o veículo até o local da residência da motorista, quando for solicitado, e o benefício da isenção de franquia no primeiro sinistro.

Daniele informa que a diferença de preço de um seguro feito para homens de um feito para mulheres pode ser de 20 a 25%, dependendo da seguradora. Daniele é unânime em afirmar que todas as seguradoras afirmam que a mulher é mais prudente no trânsito, razão pela qual as seguradoras sempre estão beneficiando este grupo.

Por esse motivo a gerente alerta aos homens na hora de fazer um seguro do carro, pois é comum um casal colocar o seguro no nome da esposa para com isso adquirir descontos, mas Daniele alerta que a seguradora vai querer saber o perfil do condutor e qual o tempo de circulação que ele dirige, para o caso de um sinistro, confirmar se realmente ela vai ter cobertura ou não.

- As seguradoras podem investigar caso o veículo esteja com o marido na hora do acidente e o seguro do carro estiver no nome da esposa - alerta.

Outra observação de Daniele é que os sinistros de mulheres são menores tanto em acidentes com colisão como em roubos, pois para as seguradoras elas são mais cautelosas e temerosas no volante, não se arriscando tanto quanto os homens.

- Em nossa corretora 90% dos sinistros em geral como roubo, furto e colisão são causados por homens, este ano ainda não foi registrado na seguradora nenhum sinistro causado por uma mulher - afirma satisfeita.

Outro detalhe que Daniele observa é que nos seguros feitos pelos pais para filhos de 18 anos, quando é informado que o jovem condutor é do sexo masculino tem um custo, se for do sexo feminino é mais barato. No caso de seguro de veículos para condutores idosos, a preferência de descontos para o sexo feminino também é maior.

Internautas

Em resposta aos internautas Guilherme Roner, Cris e Magna, que sugeriram depoimentos de motoristas mulheres que trabalham profissionalmente, o Diário entrevistou alguns desses profissionais como também mulheres que tiraram a sua habilitação para serem mais independentes.

Para a internauta Márcia, dirigir é uma questão de gostar daquilo que faz.

- Sou mulher e não manjo nada de cozinha, em compensação, faço muito trabalho masculino como trocar resistência do chuveiro, arrumar ferro de passar, puxo extensão de luz e o que mais adoro é dirigir. Tenho 52 anos, onde tenho carteira de habilitação há 28 anos e nunca levei multa. Tudo é questão de gostar, gente, alguns dirigem por necessidade, não porque gostam - falou.

Já para a vendedora Maria aparecida, de 49 anos, a opção de tirar a primeira habilitação foi porque queria comprar um carro e ser dona de seu próprio nariz.

- Optei por tirar habilitação por necessidade, pois tinha vontade de comprar um carro, mas não sabia dirigir. Já estou quase concluindo o curso e não achei difícil. Acho que o que diferencia os homens das mulheres na direção é a insegurança, por isso procuramos dirigir com mais cautela. Comprei o carro para trabalhar, ir a feira, viajar e ser independente - por isso acho que está valendo a pena.

Para a motorista de ônibus Maria José da Silva, de 44 anos, que há um ano trabalha como motorista profissional em uma empresa de ônibus de Barra Mansa, dirigir um ônibus foi realizar um sonho antigo.

- Tinha CNH desde 1989 na categoria B, três anos depois passei para a C, e em 2004 troquei para a E. Sempre quis trabalhar com veículo grande onde o meu sonho era ser motorista de ônibus e na minha empresa eu fui a primeira motorista mulher em Barra Mansa. Eu não sinto preconceito nenhum e as pessoas me tratam com muito carinho, principalmente os passageiros onde faço a linha Vila Coringa, que me elogiam muito, até os meus colegas de trabalho sempre me tratam bem.

A dificuldade maior que encontrei foi acostumar com o tamanho do ônibus, mas graças ao bom instrutor que tive, chamado Rodrigo, aprendi muito rápido e bem. No início o meu marido que é caminhoneiro estranhou um pouco, mas depois acostumou, já os meus filhos curtem muito - afirmou satisfeita a motorista Maria.

Para a motorista de táxi Ana Cristina Soares Moura, de 54 anos e há oito meses trabalhando como taxista em Volta Redonda, o mercado de táxi está melhorando muito na cidade do Aço para as mulheres, onde atualmente existem 14 taxistas mulheres dirigindo pelas ruas de Volta Redonda.

- A maior dificuldade é entrar no mercado porque os homens não dão chance, mas isso já está mudando graças ao bom trabalho das mulheres. Eu acho que somos mais atenciosas e cautelosas no trânsito por isso estamos ganhando espaço, em oito meses de trabalho nas ruas já ganhei muitos clientes novos. Trabalho das seis da manhã às 22h30 e acho que os clientes até gostam mais de mulher na função de taxista. Muitos casais que vão para o motel gostam de sair no meu carro por eu ser mulher, também sou muito solicitada por passageiros idosos. O que está faltando agora é um ponto de táxis só para as mulheres e espero que o prefeito Neto se lembre da gente - comenta Cristina.

Sindicato apoia mulheres

Na opinião de Eduardo Silva, o Tico Balanço, assessor de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Barra Mansa, as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no mercado do transporte rodoviário em todo o Brasil.

Tico Balanço afirma que a mulher é mais atenciosa, mais dedicada e mais cumpridora das regras de trânsito, por isso o índice de mulheres envolvidas em acidentes de trânsito é bem baixo, inclusive em todo o Brasil a própria Fetranspor(Federação das empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) já está incentivando a contratação de mulheres motoristas.

As pessoas não estão tendo mais discriminação e muitas empresas de transporte rodoviário e de cargas estão aprovando o trabalho feminino e incentivando a contratação de mais mulheres.

- A mulher deve procurar este novo mercado de trabalho pelas novas vantagens que a profissão está oferecendo agora. Já está comprovado que elas se envolvem menos em acidentes e apesar do número delas ainda ser menor no mercado, foi uma boa opção das empresas de ônibus. Em Barra Mansa atualmente apenas três mulheres trabalham como motoristas, mas este número deve aumentar, pois outras estão sendo capacitadas para entrar no mercado em breve - conclui Tico.



Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/4,54049,Mulher%20no%20volante%20perigo%20distante.html#ixzz1owGBZTVf

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