sexta-feira, 16 de março de 2012

Motoboy confirma que resgatou rapaz ferido

Ele afirmou que jovem que denunciou tortura na Vila Cruzeiro disse que fugia de militares

POR Bruno Menezes

Rio - A polícia ouviu ontem mais uma testemunha que reforça a versão do jovem que afirma ter sido torturado por militares da Força de Pacificação, na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha. Em depoimento, a testemunha, um motoboy, de acordo com o titular da 22ª DP (Penha), delegado José Pedro Costa da Silva, contou que socorreu a vítima, que estava deitada no chão, bastante machucada e fugia de militares.

“O depoimento, no entanto, não altera até agora o rumo das investigações, que apontam os militares como responsáveis pelas agressões sofridas pelo rapaz”, afirmou o delegado, após ouvir o relato do motoboy.

Namorada de jovem agredido na Vila Cruzeiro presta depoimento sobre caso na 22ª DP | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Na tarde de quarta-feira, o jovem ficou frente a frente com 28 militares, submetidos a reconhecimento, e identificou dois deles como autores das agressões. “Quarta-feira, mais 12 militares participarão de um novo reconhecimento”, disse o delegado.

DEPOIMENTO

Além de ter sido ouvido pela Polícia Civil e de ter reconhecido frente a frente os militares, a vítima deverá prestar depoimento à procuradora Hevelize Jourdan Covas Pereira, do Ministério Público Militar (MPM). O encontro da vítima com a procuradora está marcado para a tarde da próxima segunda-feira.

O rapaz afirmou que cinco militares o abordaram em frente à casa da namorada às 4h de sábado e que, quatro, o levaram para mata. Um ficou com a jovem. Outros quatro fardados se juntaram ao grupo e teriam lhe dado choques, pisões e outros golpes. Ele contou que se salvou após se jogar de uma ribanceira na localidade chamada Inferno Verde. A vítima, que não tem antecedentes criminais e estuda em um colégio de Bangu, será submetida a cirurgia no braço direito.

Beltrame defende UPPs no interior

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou em entrevista à agência de notícias BBC, que não existe migração de criminosos para áreas não pacificadas, contestando o secretário de Turismo, Ronald Ázaro, que disse, num seminário em Búzios, que bandidos estariam se deslocando da capital para o interior do Rio.

Na entrevista, que teve trechos disponibilizados no Twitter, ele disse que quem migra, na verdade, são lideranças. A saída, segundo o secretário são as UPPs: “Há casos de migração. Atuamos naquele lugar conflagrado. A solução definitiva é a chegada de uma política perene, que é a UPP, nessas áreas”.

Sobre as milícias, ele disse que o problema pode ser mais grave que tráfico. “A lógica da milícia é a mesma da UPP. Combater o território”, afirmou, lembrando que em cinco anos mais de 600 milicianos foram presos.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário