segunda-feira, 12 de março de 2012

Em dois anos, 287 pessoas morreram em acidentes com moto

Região - 12/03/2012 06h54

Atualizado em 12/03/2012 09h33

Em dois anos, 287 pessoas morreram em acidentes com moto

Novo Hamburgo e Canoas têm o trânsito mais violento para os motociclistas.


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Débora Ertel/ Da Redação

Foto: Ricardo Machado/GES-Especial

Apesar dos sustos, Marcele Minks, 28 anos, continua trabalhando com moto e não tem medo de encarar as ruas


Novo Hamburgo - Agilidade em meio ao trânsito intenso, valor acessível para aquisição e a ideia de liberdade são algumas das características que ajudaram a multiplicar em muitas vezes a frota de motos no Brasil. Enquanto em 1991 o País tinha 1,5 milhão de motocicletas, no ano passado eram 14 milhões de veículos de duas rodas. O reflexo disso foi o crescimento no número de acidentes envolvendo motociclistas. Conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em dois anos 287 pessoas perderam a vida na região depois de se envolverem em acidentes com motos, 149 em 2010 e 138 em 2011.

Apesar do Detran registrar queda de 8% no número de acidentes fatais com esse tipo de veículo entre os anos de 2010 e 2011, proporcionalmente as ocorrências com motos ainda são as que matam mais. Em 52 cidades dos Vales do Sinos, Caí, Paranhana e parte da Serra e litoral norte, a frota de carros é três vezes superior a de motos. Apesar disso, se comparado, o número de acidentes fatais com motociclistas é duas vezes maior às ocorrências que envolvem carros.

Novo Hamburgo e Canoas são as cidades com trânsito mais violento para os motociclistas. Para especialistas, as estatísticas são justificadas, em parte, pela imprudência dos condutores, aliada à falta de preparação para dirigir.

Quedas - Marcele Minks, 28 anos, não entrou para as estatísticas do Detran. “Eu caí duas vezes, e a pior foi a última, quando um motorista cortou a frente. Machuquei tornozelo, cabeça, perna e trinquei o osso do rosto”, conta Marcele. Apesar dos sustos, ela continua trabalhando com moto e não tem medo de encarar as ruas de Novo Hamburgo diariamente. Antes de ganhar a vida sobre rodas, Marcele trabalhava em um escritório e ia para a rua com uma ocupação extra. “Trabalhei um tempo de empregada nesse ramo e depois resolvi investir na minha própria empresa”, conta ela, que acorda às 4h30 para começar a jornada diária.

ATENÇÃO A DICAS

Ao pilotar

Cabeça levantada sempre na vertical.

Coluna ereta, ombros e braços relaxados.

Cotovelos ligeiramente flexionados.

Punhos abaixados em relação à mão, mãos no centro das manoplas.

Quadril próximo ao tanque, joelhos pressionando levemente o tanque.

Pés paralelos ao chão, apontados para frente.

PRESTE ATENÇÃO

Use sempre capacete dentro das especificações do Conselho Nacional de Trânsito

e certificado pelo Inmetro.

Use roupas adequadas e de cores claras, para facilitar a visualização, principalmente à noite e em dias de chuva.

PARA O CARONA

Não tente pilotar a motocicleta junto com o condutor, pois este tipo de comportamento coloca em risco a segurança de ambos.

O mau posicionamento do carona desloca o centro de gravidade e acentua o risco de acidente.

Fique atento no momento da ‘arrancada’ para não cair da motocicleta por causa deste primeiro impulso.

Mantenha sempre os pés firmes nas pedaleiras, para evitar o atrito com o chão e consequente acidente.

Não distraia a atenção do piloto.

NÚMEROS QUE ASSUSTAM

Em 2010, ao todo foram mais de 400 acidentes com mortes na região, dos quais 143 com motos, 192 envolvendo carros e 71, caminhões. Em 2011, houve uma queda geral de 14,7% no número de vítimas fatais. Foram 132 ocorrências fatais com moto, 182 com carros e 34 envolveram caminhões. A frota de carros em 2010 era de 548.216 e de motos 176.259. No ano passado, o número de carros passou para 588.431 e a quantidade de motos para 186.474. A maioria dos acidentes acontece em vias municipais, com pouca variação de um ano para outro. Até dezembro de 2011, Novo Hamburgo tinha a maior frota de motos da região, 26.786.

Sindimoto alerta para deficiências

Para o presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Estado (Sindimoto), Válter Ferreira, a maioria dos acidentes se justifica pelo modelo de aprendizagem na pilotagem de motos. O motociclista, quando se habilita para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), tem aulas práticas em circuito fechado. “É como um labirinto, e assim não tem contato com trânsito, pedestre, carros ou animais.”

Para Ferreira, o principal problema é que o motociclista não tem aulas de direção defensiva. “O aluno não aprende a usar freios, andar na chuva, fazer curva ou desviar de manchas de óleo”, diz. Atualmente, para ter direito à CNH é necessário fazer 40 horas de aulas teóricas e 15 horas de aulas práticas.

Mais CURSOS

Os Centros de Formação de Condutores não disponibilizam cursos de reciclagem ou de aperfeiçoamento para motociclistas. O que ocorre são capacitações para mototáxis e motofretes. O Sindimoto, em parceria com o Detran, prepara uma qualificação em pista. O curso será realizado no Velopark, em Nova Santa Rita, ainda sem data marcada.

Veículo não tolera falhas

O conselheiro do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) Daniel Denardi diz que a moto é o veículo mais intolerante com a falha humana e que o limite do corpo é sempre menor do que o do veículo.

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