terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Trânsito da região mata mais do que na Capital

Página Publicada em: fevereiro, 27 de 2012 as 6:30 pm. Na Categoria: Notícias

Uma morte no trânsito a cada dois dias em 2011. Essa é a média de homicídios culposos por conta de acidentes de veículos no Grande ABC segundo o levantamento de estatísticas criminais da SSP (Secretaria de Segurança Pública) no ano passado. A taxa de 6,5 vítimas fatais para 100 mil habitantes é menor que a do Estado. Mas é maior que a da Capital.

Segundo o especialista em transportes Horácio Augusto Figueira, nada alarmante. Isso porque, calculando por taxa de 10 mil veículos, as mortes caem para 1,1, considerado índice baixo. Essa é uma das explicações dada pelo coronel Roberval França, comandante da Polícia Militar na região. A frota de veículos no Grande ABC é de quase 1,5 milhão. Nos últimos dez anos, o número de carros cresceu 70%, enquanto a população aumentou 16%.

“Com mais gente circulando, em um projeto viário planejado para 20 anos atrás, é um dos fatores que acabam colaborando para aumentar os acidentes de trânsito”, explicou.

Figueira alertou que o “aceitável” é que haja apenas uma morte para cada 10 mil veículos. Por isso, o Grande ABC apresenta problema crônico no número de feridos no trânsito. A taxa é de 43,2 casos de lesão corporal culposa para cada 10 mil veículos. Bem menos que o Estado (65,1), mas muito maior que a Capital (apenas 1,5). “A região está no caminho certo das mortes (para redução), mas precisa atuar mais em relação aos feridos. O número precisa ser abaixado quase três vezes mais”, disse.

São mais de 17 pessoas feridas por dia em acidentes no trânsito da região. Diadema, por exemplo, tem média de lesões corporais culposas maior que o Estado se levado em conta a sua frota.

Roberval França especifica que imprudência no trânsito e o hábito dos motoristas em beber antes de dirigir são os dois principais causadores de acidentes. Por isso aponta que regiões com bares são as mais problemáticas e exigem atuação mais direta da polícia.

Nesse quesito, São Bernardo, que lidera no número de vítimas fatais, se destaca com duas regiões boêmias: a Avenida Kennedy e o Riacho Grande, que exige o uso da Rodovia Anchieta. Em Santo André, onde foram registradas mais lesões, o foco está na Avenida dos Estados.

“É cultual as pessoas irem beber depois de encerrar o expediente. Mas ainda acham que podem beber e sair dirigindo”, justificou o coronel. Se na Capital a atuação da polícia no trânsito acontece com um batalhão específico, no Grande ABC, somente em Santo André há uma parceria mais efetiva com o poder municipal para coibir os abusos.

Enquanto isso, cidades como Ribeirão Pires, que apresenta estatísticas preocupantes, sofrem com os hábitos irresponsáveis dos condutores. São 23 bafômetros para toda a região e Roberval reitera que os bloqueios são feitos apenas nos grandes corredores.

Motociclista se envolve em 16% dos casos

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 16% de todos os acidentes de trânsito no Brasil são de responsabilidade de motociclistas. Com o grande número de lesões corporais culposas no Grande ABC, eles são o foco.

O técnico em aparelhos de ginástica Jeffersion Vinícius, 34 anos, anda desde os 18 de moto e perdeu a conta das vezes em que se acidentou no trânsito. Calcula cerca de 20. A última delas em setembro, quando quebrou o maxilar.

“Em todo o lugar é complicado o trânsito”, disse o morador de Santo André. Para ele, mesmo os índices sendo proporcionalmente menores na Capital, ainda é melhor pilotar no Grande ABC.

“Aqui eu diria que há mais respeito. Na Capital as pessoas andam mais com pressa e muitas vezes não prestam muita atenção”, disse, sem saber explicar os motivos pelo qual os índices da região são piores. “Acho que é porque as ruas são mais estreitas.”

FONTE: Diário do Grande ABC.

 

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