terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Manobra proibida leva à Jacu-Pêssego

Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

 


Acessar a Jacu-Pêssego a partir da Avenida Ayrton Senna da Silva, em Mauá, exige manobras proibidas e arriscadas. Isso porque o trevo, incompleto, não oferece alças para que o motorista que trafega no sentido bairro da via acesse a Jacu-Pêssego. Os acessos estão localizados apenas na pista sentido Centro. Dessa forma, quem transita na mão oposta tem de fazer conversão proibida à esquerda e até percorrer trecho na contramão para chegar na via que dá acesso ao Trecho Sul do Rodoanel.
Já as alças de saída da Jacu-Pêssego desembocam apenas no sentido bairro da Ayrton Senna, o que também exige conversões perigosas no caso de o motorista precisar retornar ao sentido Centro. A avenida é utilizada com frequência pelos moradores do Jardim Oratório para chegar à região central do município. O motorista que optar por fazer o retorno sem infringir a legislação de trânsito deve percorrer pelo menos 1,5 quilômetro e fazer a conversão em frente a uma indústria química.
A equipe do Diário esteve no local e constatou que é grande a quantidade de motoristas que cometem irregularidades para conseguir chegar à Jacu-Pêssego. Em cinco minutos, chegou a 20 o número de veículos que fizeram conversão proibida, o que representa quatro por minuto. Uma das soluções para o problema, mesmo sem a construção de acessos, seria a criação de um retorno adequado. "O povo acaba improvisando retornos. Mas é perigoso, pois a via é estreita e tem muitas curvas", avalia o serralheiro Hélio Souza, 26 anos.
O vendedor Osmar Luiz da Silva, 48, sugere a instalação de semáforos, o que, na opinião dele, diminuiria o risco de acidentes. "Já que a obra está incompleta, podiam colocar um farol aqui e legalizar a conversão. Assim não haveria risco de colisão e os motoristas não seriam multados."
A precariedade na infraestrutura e na sinalização faz com que acidentes graves tenham ocorrido no trevo. "Uma vez vi um caminhão fazer a conversão e atingir em cheio um motoboy, que infelizmente morreu", comenta o caminhoneiro Fernando Gomes da Silva, 27.
A Dersa, empresa estatal responsável pela construção do Trecho Sul do Rodoanel e do Complexo Jacu-Pêssego, afirma que já concluiu todas as obras planejadas para o local e que, portanto, não está incumbida da construção de alças. A Prefeitura de Mauá diz que só poderá discutir com o governo do Estado a respeito da criação de acessos após a entrega total do complexo. A administração municipal afirma também que não tem condições financeiras de executar a obra. A Prefeitura também reivindica que o Estado faça o recapeamento da Avenida Ayrton Senna.

No Jardim Paranavaí, ligação com a avenida é de terra

A ligação entre o Jardim Paranavaí, em Mauá, e a Avenida Jacu-Pêssego é precária e oferece riscos aos motoristas que usam a via. A pista na chamada Estrada da Servidão é de terra, além de ter passagem estreita e sem iluminação. O tráfego é dificultado ainda mais por conta dos buracos, situação que fica pior após chuvas. O prolongamento da Jacu-Pêssego foi entregue em outubro de 2010 e, desde então, a saída ainda não foi concluída.
Apesar de curto, com aproximadamente 100 metros, o trecho tem grande movimentação de caminhões, além da circulação de linha de ônibus. A pista também não tem calçadas, o que põe em risco a vida dos pedestres que circulam pela via.
A situação gera insatisfação por parte de moradores dos arredores. "Tinha que asfaltar aqui. Esse acesso seria ótimo se fosse bem cuidado. Iria poupar muito tempo para nós", comenta o motoboy Ildebrando Neves, 45 anos. A via liga a Jacu-Pêssego à Estrada Adutora Rio Claro. O percurso é utilizado como rota alternativa para quem quer ir para bairros como Jardim Zaíra e Miranda D'Aviz.
A Dersa informou que, quando concluiu as obras na avenida, recebeu da Prefeitura lista com as vias que deveriam ser pavimentadas. Segundo a empresa, a Estrada da Servidão não fazia parte do pacote de obras. A Prefeitura, por sua vez, diz que o acordo foi feito informalmente. A administração afirma que, caso a estatal não faça a obra, irá assumir o serviço, mas não deu prazo.

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