segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Começar carreira de motoboy custa 8 salários

Quem quiser começar motofrete terá que desembolsar cerca de R$ 7,6 mil


  • Reprodução/R7

    Novos itens obrigatórios para motos vão pesar no bolso de quem usa o veículo para trabalhar

    R7
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  • O ano começou e você quer mudar de profissão. O trânsito da cidade de São Paulo, que para muitos é uma dor de cabeça, pode ser visto como uma oportunidade para quem quer começar o próprio negócio como motoboy. Mas é bom saber: em 2012 ficou mais caro ser motofrete. Além de mudança nas leis em São Paulo, uma resolução do Conselho Nacional de Segurança, que entrou em vigor em 2011, deixou cerca R$ 670 mais caro o investimento. Quem vai começar do zero, precisa desembolsar cerca de R$ 7.500 para transportar na motocicleta passageiro ou carga. O valor equivale a nove vezes o o piso base da categoria (R$ 836).

    A reportagem do R7 fez o cálculo com base nos itens previstos pela resolução do Contran n° 356 que serão obrigatórios a partir do dia 4 de agosto deste ano em todo país para quem trabalha como motofrete ou mototaxi. Entre as novas exigências, está o curso de capacitação para o motorista que dura 30 horas e custa R$ 160.

    Depois de assistir todas as aulas, a escola de formação comunica o Detran (Departamento de Trânsito). O motorista é obrigado então a solicitar a segunda via da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), e pagar por isso R$ 52,43 para ter no documento a confirmação de que o curso foi feito.

    Além de uma "burocracia extra", o presidente do Sindimoto (Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo e Região), Gilberto Almeida, diz que a categoria dos motociclistas que faz o transporte de carga ou passageiro "tem medo que as novas exigências pesem no bolso".

    - Parte da categoria concorda [com as novas regras] e a outra discorda. De uma forma geral, quem trabalha em cima da moto está preocupado com quanto irá gastar para estar dentro da lei. Quem não trabalha em empresa, vai ter que arcar com o dinheiro do próprio bolso.

    Já o presidente do Sindicato, Aldemir Martins de Freitas, critica o curso que será obrigatório a partir de agosto e diz que ele é aquém “da realidade do motoboy nas ruas de São Paulo”.

    - O curso não atende um apelo da atividade. Você tem que cuidar da sociabilidade do trânsito e aprender técnicas para dirigir na chuva, por exemplo. As aulas não tem validade no sentido prático.

    Em setembro do ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) liberou 9.500 vagas gratuitas para o curso de capitação de motofrete. De acordo com a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, em janeiro, ainda restavam 4.800 vagas nas unidades do Sest Senat (confira a lista de endereços).
    Para ser visto
    A resolução 356 do Contran também determina que coletes (R$ 79), capacetes (R$ 75) e baús (R$ 152) para carregar mercadorias estejam equipados com faixas que reflitam à luz. O objetivo do adereço é fazer com os condutores das motocicletas sejam facilmente vistos, principalmente durante a noite.

    De acordo com Almeida, as faixas já são frequentes nos casacos que os motoboys utilizam em entregas. Ele relembra também que o tamanho do baú (largura máxima de 60 cm) também é especificado pela norma para que o equipamento não tape a visão do retrovisor.

    A partir de 4 de agosto deste ano, será obrigatório também o uso do protetor de motor, conhecido como "mata-cachorro" (R$ 44). Ao contrário do que apelido diz, o equipamento serve para evitar o contato do motorista com a engrenagem da moto, especialmente em caso de queda.

    A lista de exigências para quem quer estar dentro da norma de trânsito inclui a instalação do dispositivo aparador de linha, "o corta-pipa" (R$ 16), uma espécie de antena de aço que deve ser regulada na altura da cabeça do motorista. Quem for trabalhar de mototaxi, deve ainda equipar as motocicletas com alças metálicas traseira e lateral para o apoio do passageiro.

    Outra novidade é que as motocicletas terão de ser cadastradas no Detran como veículos de aluguel. Isso quer dizer que elas terão placa vermelha (R$ 70,99), como os táxis. O motorista deverá passar por uma vistoria a cada seis meses (R$ 27,50) para comprovar que usa os itens de regulamentação.

    Antecedentes criminais

    A norma vale pra todo território nacional. No entanto, a resolução abre brechas para que os municípios criem outras exigências para os motociclistas circulem na cidade. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura exige atestado de antecedentes criminais para os motofretes. Daqui a dois anos, as motocicletas que fazem entregas deverão ser brancas como os taxis da capital.

    Freitas relembra o caso dos kits de primeiros socorros, que chegou a ser obrigatório e depois extinto nos carros, para criticar as medidas impostas pelo governo. Para ele, não há poder de fiscalização e, por isso, será difícil saber quem cumprirá a regra ou não. A administração municipal estima que 30 mil pessoas trabalhem como motoboys na capital.

    A Prefeitura de São Paulo afirmou que a fiscalização ficará a carga do DTP (Departamento de Transporte Público), órgão ligado à Secretaria Municipal de Transportes. Quem não respeitar a norma está sujeito à multa e apreensão da moto.
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