domingo, 18 de dezembro de 2011

Mototaxistas querem debater ‘lei do garupa’


Em fase de estudos pela vereadora Marly Martin (PPL), uma eventual lei que proíba o transporte de passageiros em motocicletas em determinados horários e dias da semana prejudicaria todos os usuários de motos da cidade. Essa é a avaliação feita pelo Sindicato dos Mototaxistas e Motofretistas (Sindimotos) de Maringá. A ideia, segundo a vereadora, pode ajudar a reduzir a criminalidade e o número de acidentes em que este tipo de veículo está envolvido.



"Barrando o motociclista, não se resolve o problema de assaltos. Há uma lei federal que regulamenta a profissão de mototaxistas. Uma lei assim (como a que a vereadora pode apresentar) atingiria diretamente os usuários de mototáxis. Se for aprovada, como esse pessoal vai se locomover para o trabalho? Vai de coletivo?", questiona o presidente do Sindimotos, Mário Afonso Garcia.

Ele argumenta também que a motocicleta é um veículo mais barato e ao alcance de todos. "Muitos que não têm condições de comprar um carro compram uma moto. A vereadora alega que é problema de segurança, mas na minha opinião falta efetivo policial", completa.

O sindicalista disse que vai propor uma reunião com a vereadora para debater o assunto. "Vou até mandar um ofício para Marly. Já que ela levantou essa questão, vamos sentar com as autoridades da segurança, como o poder público, para buscar uma solução. Por que ela não coloca uma lei também para proibir passageiros de carro?", desafia.

Na avaliação dele, a proposta da vereadora vai na contramão das expectativas dos motociclistas. "Vamos ajudá-la nesse estudo técnico e ver se a gente consegue equacionar isso. Esse assunto confronta a nossa realidade, acho que a vereadora foi infeliz em colocar isso", critica.

Ele rebate também as argumentações de que muitos crimes são praticados por motociclistas. "É uma vergonha alegar que os mototaxistas são traficantes, que a pessoa que utiliza uma moto é bandido", acrescenta, destacando que uma lei assim penaliza principalmente os trabalhadores, tanto os que usam moto para locomoção até o trabalho quanto os que usam para transportar passageiros.

Segundo o Sindimoto, Maringá conta com aproximadamente 200 mototaxistas. O sindicato estima que a atividade gere 500 empregos diretos. Um mototaxista ganha entre R$ 50 e R$ 70 por dia.


EM ESTUDO



Marly Martin >> Vereadora pelo PPL em Maringá


Para a Polícia Civil, o problema de segurança relacionado ao veículo não é o uso da moto, mas do capacete, que prejudica a identificação. Como a senhora avalia isso?

É um estudo que está aberto ao debate pela população. Já sugeriram que os motociclistas deixem de usar capacete. Existem muitas sugestões.

Em Maringá, há um grande número de motociclistas e isso gera polêmica. Como a senhora vê isso?

Está certo e por isso que eu disse que a minha preocupação é, antes, fazer um estudo. A cada dia vemos muitos acidentes de moto e também muita violência praticada por motociclistas. É uma questão de estudo, estamos procurando uma solução para isso.

Mas os motociclistas são radicalmente contra isso. Como a senhora vai administrar essa situação?

Está sendo feito um estudo. Fiz uma lei proibindo o cigarro em ambiente fechado e hoje é uma lei nacional. De repente, a Assembleia de São Paulo revoga a lei (sobre motocicletas). De repente a gente não prossegue aqui. Vamos abrir uma discussão que pode levar anos e as pessoas podem participar. Existem muitas sugestões. Só vou colocar como projeto depois de eu me convencer que esse projeto ajudaria, sem prejudicar as pessoas de bem.


OPINIÕES


Celso Ramos
Encarregado de ferragens

"Quem sai para assaltar
vaiassaltar de qualquer
jeito. Não pode comparar
uma pessoa de bem com
um bandido"


Aluan da Silva
Impressor flexográfico

"Tenho uma moto e
carrego minha irmã,
minha mãe e minha
namorada. Garanto
que 99% dos
motociclistas não são
assaltantes"

Darci Tixa
Vendedor autônomo

"A moto foi feita para
um piloto e um
passageiro. Uso a
minha para carregar
meu filho, levo ele para
a escola. Sou
totalmente contra"

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