quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lei causa desentendimento entre sindicatos

 

A lei do motofrete, como são conhecidas as várias medidas baixadas pela Prefeitura, causa controvérsiaIvo Patarra
ivo.patarra@diariosp.com.br

Duas entidades que representam trabalhadores de motocicleta brigam por causa da lei do motofrete. “Aquele sindicato não representa os motoboys de São Paulo”, acusou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas de São Paulo, Aldemir Martins, o Alemão, ao se referir ao Sindicato dos Mensageiros Motociclistas do Estado de São Paulo, que se intitula Sindimoto. “Sindimoto somos nós”, reclamou Alemão.

“Eles não são sindicato, são apenas uma associação”, rebateu Gilberto Almeida dos Santos, o Gil, presidente do Sindicato dos Mensageiros. “Ele não tem embasamento, está blefando”, insistiu Gil.

Por trás da discussão, a lei do motofrete, como é conhecida as várias medidas baixadas pela Prefeitura. Elas vão exigir de profissionais da motocicleta todo um enquadramento a partir de 2012. “Os motoboys são uma categoria profissional, regida pela CLT, têm convenção coletiva de trabalho, e não precisam obedecer as regras da Prefeitura”, defendeu Alemão. “Seguimos as leis de trânsito.”

Para o sindicalista, as normas baixadas pela administração municipal só atingem os motociclistas autônomos, que trabalham em empresas de motofrete. Eles são cerca de 9 mil em São Paulo. Já os motoboys, com carteira de trabalho, seriam 150 mil na capital paulista.
Gil, por sua vez, opinou que as regras para os serviços de motofrete valem para todos os motoboys. “Não tem exceção.”

“Nós somos os legítimos representantes dos motoboys”, afirmou Alemão. “Não aceitamos a mudança para placa vermelha, nem essa história de motocargo de cor branca.” Ele garantiu que entrará com uma ação na Justiça contra a Prefeitura. “Vamos impedir que imponham restrições aos direitos da categoria. Não queremos ingerências indevidas nos assuntos dos motoboys. Isso é inconstitucional.”

Já o sindicalista Gil manifestou concordância com a lei do motofrete. “As medidas são importantes e vão organizar a categoria. A culpa da desorganização dos motoboys é dele e as nossas divergências vão durar anos na Justiça”, apontou, referindo-se a Alemão. “Houve desmembramento do sindicato. Nós cuidamos dos motoboys”, retrucou Alemão. “Vou processá-lo pelo uso indevido do nome do Sindimoto.”

 

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