terça-feira, 22 de novembro de 2011

Com economia estável e oferta de crédito, frota de moto aumenta ano a ano

Mayara Sá

Moeda estável, inflação controlada, oferta de crédito são alguns dos motivos que levaram milhares de pessoas a assumirem um financiamento e adquirir uma motocicleta. De 10 anos para cá, a frota de motocicletas de Mato Grosso do Sul passou de 87.892 para 337.123 (até março deste ano), segundo dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

O gerente de vendas da Covel Motos, José Augusto Abrão Nachif, confirma o aumento das vendas. Ele lembra que quando começou a trabalhar com vendas de motos, há sete anos, a maioria das vendas era feita por consórcio (por ter taxas zero de juros).

Hoje, apesar do financiamento custar mais para o consumidor é a modalidade preferida da maioria. Ele explica que apesar de pagar mais pelo bem, o cliente opta por este tipo de venda por ter o veículo na hora, sem precisar de sorteio ou lance.

Jos Augusto explica que isso foi possível graças ao crédito facilitado que existe atualmente. “Com a oferta de crédito e a necessidade das pessoas se locomoverem com mais rapidez houve um aumento considerável nas vendas nos últimos anos. Ninguém quer ficar duas horas esperando pelo ônibus, aponta”.

Segundo José, este inclusive é um dos pontos fortes para convencer o cliente a levar a moto para casa. “Mostramos aos nossos clientes que é muito mais econômico e rápido se locomover de motocicleta, afinal tempo também é dinheiro”, diz.

Transporte Público

Não ter o próprio transporte para se locomover nas grandes cidades brasileiras implica enfrentar pelo menos dois desafios: o transporte público, que não está preparado para atender à demanda com qualidade, e o planejamento nas cidades, que não privilegia outros tipos de locomoção, sem ser a veicular.

A dependência do automóvel é evidente quando se analisa as estatísticas da frota do país. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos últimos 15 anos, a frota de automóveis cresceu 7% ao ano e a de motocicletas, 15%.

“Temos um grau de dependência do automóvel muito grande. Usar o serviço coletivo não é fácil, porque a qualidade não é boa. E também falta infraestrutura para o transporte não motorizado”, aponta Paulo César Marques, professor do programa de pós-graduação em transportes da Universidade de Brasília (UnB).

Sem Opção

Sem ter para onde correr, as pessoas compram suas motos e são ‘jogadas’ no trânsito. Muitos condutores, apesar de habilitados são despreparados para enfrentarem o trânsito das cidades.

Em Mato Grosso do Sul, dos 1930 motoristas envolvidos em acidentes de trânsito em setembro deste ano, sendo 942 com danos materiais e 988 com vítimas, apenas seis não possuíam CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

O dado deixa claro, que apesar de habilitados, os motoristas estão despreparados para enfrentarem as ruas da cidade.

Outro dado do boletim mensal do Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul) revela que dos 495 acidentes com motocicletas registrados no mesmo período, 431 vitimou alguém, ou seja, 87% dos acidentes de moto deixou pelo menos uma pessoa machucada.

Quem já sofreu um acidente de moto sabe bem como é. Meses de recuperação, fisioterapia, RPG, etc. O engenheiro civil, Tomaz Leal Leite, 26 anos, está nessas estatísticas.

Ex- motociclista, ele conta que caiu várias vezes de moto, mas uma delas o deixou de molho por três meses. “Quebrei a clavícula, o joelho e tive um edema linfático na canela. Me recuperei em três meses, exceto pelo edema linfático”, conta.

Tomaz conta que estava em uma moto XTZ Lander 250 e após sair de uma mini rotatória bateu de frente com uma Honda Biz, que fez uma conversão proibida para entrar em uma academia. Ele confessa que estava em alta velocidade. “Acordei no hospital”.

O acidente que ocorreu em junho de 2009, aconteceu por imprudência dos envolvidos. O que prova mais uma vez que a falta de preparo e de cuidado causa danos, muitas vezes permanentes.

Outro ex-motociclista, Reginaldo Lacerda, 40 anos, designer gráfico, conta que nunca se recuperou totalmente após ter sofrido um acidente com moto. “Vou comecar outro tratamento agora porque meu tornozelo e a lombar estãoo me matando”, diz.

O designer conta que vinha com a moto a uns 80km, pela Afonso Pena em direcao ao Círculo Militar, e na esquina da Ernesto Geisel vinha um homem discutindo com a mulher dentro do carro que virou a rua, o fechando. “Bati na porta e voei ate o meio fio do canal do córrego. Bati a perna esquerda no carro, a cabeça no meio fio. O capacete rachou. O motorista simplesmente fugiu”, diz.

Apesar da dor da recuperação, quando é ‘só’ isso o condutor tem mais é que comemorar. Outra triste estatística aponta que o número de mortos em acidentes com motocicletas triplicou em nove anos. Passando de 3.744, em 2002, para 10.143 no ano passado. Os dados são do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.

Apenas em 2010, segundo a mesma pesquisa, mais de 40,6 mil brasileiros morreram em acidentes nas ruas e estradas do país. Os acidentes com motos responderam por 25% das mortes. Trata-se do maior número registrado pelo Ministério da Saúde em ao menos 15 anos.

Pelas estatísticas compiladas pelo governo federal, 111 pessoas morreram por dia em acidentes em 2010, 8% mais que no ano anterior. As internações hospitalares de vítimas do trânsito também subiram - 15% - beirando 146 mil no ano.

O diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves, revela que 60% dos leitos de hospitais são ocupados com vítimas de acidentes de trânsito.

Segundo ele, a avaliação desse custo é difícil, mas o valor chega a R$ 28 bilhões, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O doutor em segurança de trânsito e professor da Universidade de Brasília (UnB), David Duarte, diz que é preciso haver uma mudança no foco da fiscalização no Brasil. “Precisamos de fiscalização preventiva e ostensiva antes de ocorrerem os acidentes para diminuir os riscos”.

Prevenção

Como forma de reduzir esses índices, a Covel Motos realiza um curso de pilotagem com segurança.

Segundo José Augusto, gerente de vendas na empresa, para participar basta entrar em contato com a loja e marcar a data do curso. “São 4h30 de curso com instrutor formado no centro educacional da Honda, a idéia é preparar os motociclistas de forma que evitem acidentes. Pois, eles são o lado frágil da história”, aponta.

Wille Zampieri

Para se inscrever ligue (67) 3302-6446. O curso é gratuito e aberto para todos os condutores que sejam habilitados na categoria ‘A’.

 

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