quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Após processo de pacificação, Bope

 

Moto-taxistas esperam aumentar o lucro com nova realidade da comunidade

Bruno Rousso, do R7 | 16/11/2011 às 21h47

Bruno Rousso/R7

Capitão do Bope não vai admitir irregularidades no moto-táxi


A pacificação da Rocinha, na zona sul do Rio, vai gerar um forte impacto na rotina do moto-táxi, um dos principais meios de transporte dos moradores da comunidade. Segundo o capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), coronel René Alonso, está proibida a circulação de qualquer moto-taxista sem carteira de habilitação e IPVA em dia.

Veja fotos da ocupação

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16) e aprovada pela maioria dos profissionais que ganham a vida subindo e descendo as ladeiras da maior favela da América Latina, com cerca de 70 mil moradores.

Aos 46 anos, Edson de Souza sustenta a família com os quase R$ 1.000 que lucra por mês. Com carteira dentro da validade e os documentos regularizados, ele espera que a chegada da polícia na Rocinha o ajude a aumentar o faturamento.

- É muito bom. Sou totalmente a favor. Tem que funcionar do mesmo jeito que em qualquer outro lugar, dentro da lei. Além disso, era injusto, porque qualquer um podia pegar uma moto e disputar espaço com a gente.

Além de diminuir a concorrência, outro fator irá contribuir diretamente para que os moto-taxistas aumentem a renda mensal: junto com o tráfico, caíram os donos dos pontos. Com isso, as diárias de R$ 13 foram suspensas, como explicou Elivelton Freitas.

- A gente tinha de pagar a diária e, se atrasasse e pagasse no dia seguinte, o dono cobrava R$ 4 de multa. Desde que o Bope está aí, não estamos pagando isso, já ajuda no faturamento, porque era um dinheiro certo que gastávamos.

A Rocinha tem 12 pontos de moto-taxi. O valor cobrado pelo deslocamento a qualquer ponto da comunidade é de R$ 2. Para outras áreas, o preço varia de acordo com uma tabela da associação dos moto-taxistas.

Citados separadamente, os valores são baixos, mas o faturamento do dono do ponto é muito alto. Em um único dia, ele pode faturar R$ 2.100, o que dá cerca de R$ 60 mil por mês.

O moto-taxista Miguel Moreira contou que no ponto localizado no principal acesso à comunidade trabalham 150 motos.

- Só aqui são mais ou menos 150 motos. Multiplica as diárias e vê quando dá. É muito dinheiro.

A partir da próxima semana, o presidente da associação de moto-taxistas da Rocinha, conhecido como Magrão, irá começar a tratar de um processo de regularização do sistema. A intenção é que os profissionais tenham uma autonomia, documento semelhante ao obtido por taxistas.

 

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