terça-feira, 15 de novembro de 2011

Apesar de chuva, movimento na Rocinha é normal nesta terça


Tráfego de vans, motos e mototáxis é intenso nesta manhã.
Parte do comércio está de portas fechadas por conta de feriado.

Paulo Toledo Piza Do G1 RJ

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Rocinha na terça-feira (Foto: Paulo Pizza/G1)Serviços de mototáxis e vans funcionam normalmente nesta terça-feira, feriado da Proclamação da República (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

A chuva que atingia o Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (15), feriado da Proclamação da República, não afetou o movimento de moradores na Favela da Rocinha, na Zona Sul da cidade.

Por volta das 8h, pedestres caminhavam com segurança pelas vielas da comunidade ocupada pela polícia desde domingo (13). "Vou aproveitar que não tem sol para ir no shopping na Barra", disse uma mulher de 45 anos que não quis ter o nome divulgado.

Apesar da presença da PM, poucos moradores estavam dispostos a conversar com a imprensa sobre a ocupação.

Blindados na Rocinha (Foto: Paulo Pizza/G1)Blindado segue na Rocinha (Foto: Paulo Toledo
Piza/G1)

Serviços como as mototáxis e as vans funcionavam desde o início da manhã. Apenas parte do comércio está de portas fechadas por conta do feriado.

Dentro da favela, carros da polícia circulam menos do que nos últimos dias. Em uma das entradas da Rocinha, um blindado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) estava parado ao lado de ônibus e outros veículos da corporação.

Força-tarefa de serviços públicos
Na quarta-feira (16), a Rocinha terá uma "força-tarefa" de serviços públicos. Segundo o secretário de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, 300 funcionários estarão na comunidade para implantar e melhorar serviços como iluminação, pavimentação e logradouro. A comunidade também vai ganhar terá plano inclinado com elevador.

"Nós temos uma população de 100 mil habitantes em uma área que foi construída sem nenhum planejamento urbano, muito adensada. Isso é um enorme desafio", afirma o secretário. "Estamos repensando essa logística, fazendo investimentos em mais garis e novos equipamentos e vamos ter que combinar com a comunidade. Não temos como fazer sozinhos, o lixo vai ser colocado em pontos estratégicos e nós vamos recolher."

"A Rocinha é uma verdadeira cidade. Nós planejamos já para os próximos quatro meses investimentos da ordem de R$ 100 milhões", complementa o secretário estadual de assistência social, Rodrigo Neves. "Investimentos para promover a efetiva inclusão das famílias."

Nesta quarta, a força-tarefa deve dar uma "geral" na Rocinha, segundo Osório. "Teremos 300 homens só da Secretaria de Conservação, fazendo a revisão da iluminação, conservação de logradouros, grades, pavimentação, em um trabalho de dez dias. E vamos apresentar ao prefeito Eduardo Paes um grande raio-x da Rocinha para orientar os nossos planos de médio e longo prazo".

Comércio 24 horas
A ocupação das forças de segurança também é comemorada pelos comerciantes que trabalham 24 horas na região. Durante a madrugada, o movimento foi grande na Via Ápia, um dos principais acessos à comunidade. De acordo com a ambulante Francisca de Oliveira, de 56 anos, que trabalha numa barraca de utensílios domésticos, as vendas aumentaram com a chegada da polícia. Ela afirmou que muitos turistas e curiosos foram à favela para verem de perto a operação. Há um ano trabalhando na madrugada, ela contou que se sente mais segura.

"A gente nunca sabe o que vai acontecer, né? O futuro só Deus sabe. Só o tempo vai dizer o que vai acontecer. Eu amo isso aqui, amo a Rocinha, mas antes eu tinha até um pouco de medo, sempre ficava perto do bar, porque tinha mais pessoas. Agora eu posso trabalhar tranquila e isso também passa para as pessoas, que chegam à favela", disse ela.

Os serviços de moto-táxi e transporte alternativos, que chegaram a parar por causa da operação, também funcionaram normalmente durante a madrugada.

Cedae na Rocinha
Nesta segunda-feira (14), os moradores da comunidade já começaram a receber serviços como água e limpeza das ruas do local. Cerca de 50 técnicos da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) começaram a substituir as elevatórias da comunidade.

A Cedae informou, ainda, que as obras devem demorar aproximadamente um ano. Todas as bombas serão trocadas e, além disso, moradores estão sendo cadastrados para tornar sua situação regular. No Vidigal, outros 25 homens iniciam a troca das elevatórias.

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