sábado, 1 de outubro de 2011

TJ decide se acusados por morte de sindicalista vão a júri popular

 

Sindicalista Jair Antônio da Costa foi morto por policiais militares durante manifestação no dia 30 de setembro de 2005 | Foto: Divulgação

Felipe Prestes

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julga na próxima terça-feira (4) o recurso de nove policiais acusados de homicídio triplamente qualificado pela morte do sapateiro Jair Antônio da Costa, ocorrida em Sapiranga, há exatos seis anos. Em junho de 2009, a juíza Paula de Mattos Paradeda, da Vara Criminal de Sapiranga, decidiu que eles devem ir a júri popular, mas os réus recorreram ao TJ. O relator do recurso é o desembargador Newton Brasil Leão.

No dia 30 de setembro de 2005, por volta das 18h, Jair, que era dirigente do Sindicato dos Sapateiros de Igrejinha, participava de uma mobilização de trabalhadores do setor coureiro-calçadista, quando um soldado da Brigada Militar, sob a alegação de que o sindicalista havia roubado a chave de sua moto. O soldado perseguiu o sapateiro junto com outros policiais. Jair foi agarrado por quatro policiais, enquanto um deles o asfixiou pressionando o cassetete em sua garganta. A necropsia apontou que houve morte por “asfixia mecânica consecutiva a contusão hemorrágica de laringe por traumatismo cervical fechado”.

Os policiais foram enquadrados por homicídio com três qualificações: motivo fútil, asfixia e por tornarem impossível a defesa da vítima Foto: Divulgacão/CUT

Os policiais também desferiram socos, pontapés e golpes de cassetete enquanto efetuavam a prisão. Outros brigadianos foram denunciados por acobertarem a ação dos policiais, protegendo-os dos sindicalistas que tentavam impedir o ato. Os nove policiais foram enquadrados por homicídio com três qualificações: motivo fútil, asfixia e por tornarem impossível a defesa da vítima.

Marcando os seis anos da morte a iminência do julgamento do recurso dos policiais, a Federação Democrática dos Sapateiros do Rio Grande do Sul (Fedesargs) realizou nesta sexta uma extensa agenda de mobilizações. A concentração iniciou por volta das 5h30 da manhã, em Igrejinha, onde os sapateiros rodaram pelas portas de fábrica com carro de som e panfletagem. Às 9h, foi realizada missa na Igreja da Matriz de Igrejinha, em homenagem ao sindicalista.

Ainda pela manhã, eles aproveitaram a passagem do governador Tarso Genro pelo Vale do Paranhana para entregar-lhe uma carta. Os manifestantes ainda iriam até o fórum da cidade para pressionar por Justiça. “Queremos punição. Matam um trabalhador e fica por isso mesmo?”, questiona o presidente da Fedesargs, João Batista Xavier da Silva.

 

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