quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Risco de morte em duas rodas é quatro vezes maior que nos demais veículos

Correio Braziliense
A epidemia dos acidentes de trânsito é agravada pelo crescimento acelerado da frota de motos, além do despreparo e da imprudência dos condutores desse tipo de veículo.
    A epidemia dos acidentes de trânsito é agravada pelo crescimento acelerado da frota de motos, além do despreparo e da imprudência dos condutores desse tipo de veículo. No Distrito Federal, as motocicletas matam proporcionalmente quatro vezes mais que os automóveis e se envolvem três vezes mais em acidentes fatais. De janeiro a julho deste ano, a taxa de mortalidade entre passageiros e condutores de carros foi de 1,1 para cada 10 mil veículos. Entre as motos, ela subiu para 4,2 por 10 mil motocicletas.
    A mortalidade entre motociclistas ainda é alta, mas as estatísticas têm melhorado. De janeiro até julho deste ano, o número de acidentes fatais registrados nas ruas da capital federal envolvendo motos diminuiu 24%. Em sete meses de 2011, foram 68 colisões e 59 motociclistas mortos. Em 2010, foram 90 casos de acidentes fatais e 66 motociclistas perderam a vida. Apesar dos números positivos, os condutores de motos continuam entre as principais vítimas do trânsito de Brasília. Eles ocupam o segundo lugar no ranking, ficando atrás apenas dos pedestres, os mais vulneráveis. Nos sete primeiros meses deste ano, 86 pessoas foram atropeladas no Distrito Federal.
    Para os especialistas, o grande número de mortos entre motociclistas é decorrente de fatores como o crescimento exagerado da frota de motos (12% ao ano), problemas na fiscalização, falta de campanhas educativas e, principalmente, por causa da imprudência. Em qualquer rua da capital federal, é comum ver motociclistas dirigindo em alta velocidade, andando no meio dos corredores de carros ou conduzindo sem habilitação.
    Os motoboys tentam se desvincular das estatísticas de mortes. O presidente do Sindicato dos Motociclistas Autônomos do DF, Luiz Carlos Garcia, diz que os trabalhadores do setor são cuidadosos. ''A maioria dos acidentes não envolve os profissionais, mas gente que resolve comprar moto para fugir do trânsito, sem ter a devida qualificação para dirigir'', garante. ''Nós temos seguro de vida. Se o índice de morte entre os motofretistas fosse grande, nenhuma seguradora nos aceitaria'', acrescenta.
    O chefe da Fiscalização do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran), Marcelo Madeira, conta que um dos focos dos agentes é coibir a violência no trânsito entre os motociclistas. Eles realizam blitzes específicas para verificar a documentação dos condutores e o estado de conservação das motos, especialmente dos pneus. ''O índice de acidentes fatais é alto e Brasília ainda tem a peculiaridade de ser cortada por rodovias. Nessas pistas, os motoristas conduzem em velocidade mais alta e isso contribui para haver casos mais graves. Nas motos, o para-choque é o próprio motociclista, que sempre fica muito vulnerável em casos de acidente'', explica Marcelo Madeira.
    Hoje, há mais de 137 mil motos em circulação nas vias do Distrito Federal. Um dos motivos do aumento expressivo da frota é a má qualidade do transporte público e o fato de os brasilienses buscarem opções mais rápidas para chegarem ao trabalho. ''Para fugir dos engarrafamentos, muitas pessoas preferem comprar motos baratas, mas temos estatísticas mostrando que o motociclistas correm riscos oito vezes maiores do que os passageiros de ônibus'', afirma Marcelo Madeira.
    Perdas
    Um acidente de trânsito pode mudar o rumo de uma família inteira em uma fração de segundos. Teresinha Rodrigues Lima Albuquerque, 49 anos, passou por esse trauma quando perdeu o marido em um acidente de moto, há dois anos e meio. Ao tentar passar por um cruzamento, em Brazlândia, ele morreu depois de colidir com uma carreta. José Luiz Albuquerque de Aguiar tinha apenas 45 anos e fazia um passeio com amigos, quando derrapou. ''Ele saiu no sábado e ia voltar no domingo à noite. Mas só recebi a notícia de que ele retornaria em um caixão. Foram 18 anos de casada. Ele era brincalhão, amigo, um maridão'', disse Teresinha.
    O trânsito voltou a assustar a moradora de Taguatinga novamente em novembro de 2010, quando o filho dela, Luiz Felipe Lima Albuquerque, hoje com 18 anos, se envolveu em um acidente. Ele estava em um carro dirigido por um menor, no viaduto de Taguatinga Centro, quando o condutor perdeu o controle e caiu de uma altura de 12 metros. ''Foi um milagre. Não perdi meu filho porque ele estava em um carro. Se fosse moto, teria encontrado só os pedaços dele'', disse Teresinha. Luiz relata que no momento do acidente só pensava no pai. ''Não sei se a pancada foi muito forte, mas eu vi meu pai, achei que tinha vindo me buscar. Sinto muita falta dele. É difícil, ele era meu melhor amigo'', lamentou.
    De acordo com a subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), Valéria Velasco, é normal a família ficar perdida e, em alguns casos, até com depressão. ''Retomar a vida é difícil. Para isso, oferecemos apoio psicológico e jurídico a esses familiares. Muitas vezes, é a imprudência de alguém alcoolizado que tira a vida de um familiar'', disse


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