sábado, 29 de outubro de 2011

Motoristas não têm opções para fugir dos engarrafamentos

Em São Leopoldo alternativa à rodovia é enfrentar o caos do trânsito interno.

 

Hygino Vasconcellos/Da Redação

Foto: Roberto Vinicius/GES

Ponto sobre a BR: afunilamento deixa o local perigoso

São Leopoldo

- Trafegar pela BR-116 sem encarar um engarrafamento em algum trecho virou raridade nos horários de pico. Um dos pontos mais críticos é nas proximidades da ponte sobre o Rio dos Sinos, em São Leopoldo, onde a pista se estreita com o término das vias secundárias. Conforme o policial rodoviário Ricardo Antônio Martins, é comum registrar quatro quilômetros de engarrafamento quase que diariamente. Com o afunilamento, a probabilidade de um acidentes cresce. Na quarta-feira, por exemplo, foram três colisões – às 6h45, 8h20 e 10h45. Para reduzir o problema, a Prefeitura busca ideias e projetos.

Uma das alternativas seria fazer o percurso por dentro da cidade, pelas duas outras pontes existentes (a 25 de Julho e Henrique Luiz Roessler). Entretanto, para o diretor de Fiscalização de Trânsito, Dirceu Meincke, não há como fugir do tráfego intenso principalmente no horário das 17h30 até as 19 horas. “Esses dois locais já têm um fluxo de veículos próprio e conturbado. Se todos usarem essas duas pontes, vamos direcionar o congestionamento aqui para dentro.’’ Meincke observa que, quanto maior for o engarrafamento, maior será o estresse no trânsito e, consequentemente, o número de acidentes. “O pessoal fica irritado de esperar.’’

Extensão da Mauá

De três outras travessias que poderiam solucionar o problema, duas ainda estão no papel. A única em andamento é a extensão da Avenida Mauá com a expansão Norte do Trensurb até Novo Hamburgo. A construção está sendo finalizada e deve permitir o fluxo de veículos entre o Centro e o bairro Rio dos Sinos. O trânsito deve ser liberado em dezembro, após a inauguração das duas estações da trem, Rio dos Sinos, em São Leopoldo e Santo Afonso, em Novo Hamburgo.

Prolongamentos

Outra solução seria o prolongamento da Avenida Thomás Edson entre os bairros Campina e São Miguel. Conforme o secretário-geral do governo, Olger Peres, o projeto está orçado em R$ 25 milhões e agora está na fase de captação de recursos com o governo federal. A prefeitura mira nos ministérios do Transporte e das Cidades para obter o aporte financeiro. “Tentamos inicialmente pelo PAC (Programa de Aceleração para o Crescimento) da Mobilidade Urbana, mas não coube. Agora, estamos vendo outros editais que financiem esse tipo de obra.’’ A nova ligação não só desafogaria o trânsito na BR-116 e do Centro, mas iria integrar os bairros.

“Íriamos resolver um divórcio antigo da zona leste e norte. Com essa ligação poderíamos trafegar até a RS-240 sem entrar na BR-116.’’ O projeto já foi enviado para os dois ministérios há mais de um mês e prevê a construção de quatro pistas. “Ainda não temos nada fechado.’’
Há ainda uma outra alternativa que seria o prolongamento da BR-448, a Rodovia do Parque, até Novo Hamburgo. Hoje vai até Sapucaia do Sul. A extensão, de 24 a 28 quilômetros, seria um alternativa para o fluxo intenso de veículos. O engenheiro e supervisor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) na região, Carlos Adalberto Pitta Pinheiro, diz que não tem conhecimento do projeto nem possível novo traçado.

Terceira faixa

A atual ponte poderia receber mais duas pistas – uma em cada sentido – por meio de um projeto que está sendo desenvolvido. O supervisor do Dnit observa que a proposta é antiga e pretende criar ruas laterais e alargar pontes e viadutos. Pita recebeu uma minuta básica do projeto, com o que pode ser feito. As melhorias poderiam garantir mais fluidez no trânsito e ampliar a capacidade de veículos entre Porto Alegre até Estância Velha. Após o projeto ser concluído – ainda sem previsão, ele deve ser analisado por técnicos do Dnit, ser aprovado e passar por licitação.

Só nos planos

Em entrevista ao programa Panorama, da Rádio ABC 900, em setembro de 2010, o superintendente do Dnit no RS, Vladimir Casa, informou que estava sendo preparada licitação para melhorias operacionais na rodovia. Questões como ampliação da rua lateral em diversos trechos e o alargamento da ponte sobre o Sinos seriam prioridades neste processo. Procurado ontem pela reportagem do VS, foi informado que Casa estava de férias.

Sem solução

O projeto do alargamento da ponte sobre a BR já vem de mais tempo. Em 2009, a engenheira do setor de projetos da regional para o Rio Grande do Sul do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), Teresinha Barth dos Santos, falou que estava sendo feito um estudo sobre o assunto. Em março de 2010, o ex-diretor de Infra-Estrutura Terrestre do Dnit, Hideraldo Caron, em visita às obras de revitalização das laterais da BR-116 em São Leopoldo, ao lado do prefeito Vanazzi, anunciava um projeto de alargamento da ponte no sentido São Leopoldo-Novo Hamburgo.

O alargamento sobre a ponte do Sinos será ação semelhante ao feito na ponte sobre o Rio Gravataí – na saída de Porto Alegre. Tanto em São Leopoldo como na capital as pontes ficaram estreitas em razão do excesso de veículos que ingressam na BR-116. Sem alternativa e sem recuo adequado, os motoristas precisam “se jogar” no fluxo, causando acidentes e gerando engarrafamentos.

Falta licitar

O prefeito Ary Vanazzi observou que o Dnit teria apresentado o projeto finalizado em maio de 2011. Ele observou que só faltaria licitar a obra, mas que após a saída de Hideraldo Caron da diretoria de infraestrutura do Dnit não acompanhou mais a questão.

 

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