segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cinquentinhas modernas: ter 50 anos hoje é muito diferente do que há 20 ou 30 anos

Mulheres nessa faixa etária desempenham papéis diversificados, sem abrir mão do charme

Viviane Bevilacqua* | viviane.bevilacqua@diario.com.br

 

Rita de Cássia redescobriu o amor e a aventura aos 50 anos
Foto:Felipe Carneiro / Agencia RBS

 

Para as mulheres de hoje, a maturidade tem significado diferente daquele de décadas atrás. Cada vez mais, as cinquentonas desempenham papéis sociais diversificados, sem abrir mão do charme.

Qual seria a idade ideal, aquela em que a maturidade emocional, a disposição e a estabilidade financeira estariam em sintonia? Os especialistas não chegam a afirmar categoricamente um momento específico, mas reconhecem que ter 50 anos pode ser um marco importante para qualquer mulher. O significado de completar meio século de vida hoje é muito diferente do que há 20 ou 30 anos.

— Observamos uma mudança no envelhecimento. Muitas mulheres de 50, hoje, estão mais próximas das de 40 anos de duas décadas atrás. Há, inclusive, muitas pessoas de 60 anos que são adultos, e não idosos — diz o geriatra Sabri Lakhdari.

::: Para ler a versão na íntegra desta matéria, leia a edição impressa do Diário Catarinense

Além de belas, muitas mulheres comemoram a chegada à faixa dos 50 anos como a época da liberdade, da segurança, do autoconhecimento. Se sentem preparadas para recomeçar planos, iniciar novos relacionamentos, para se olharem no espelho e se sentirem mais satisfeitas consigo mesmas. São mulheres como a motociclista Rita de Cássia, a escritora e blogueira Maria Luiza, a professora Giovanna e muitas outras, que contam, orgulhosas, o que ganharam com a idade.

Participação feminina aumenta nessa faixa etária

Chegar aos 50 não significa mais encerrar planos e expectativas, como antigamente. Essa visão tem mudado nos últimos anos, principalmente entre as mulheres. Nunca se viu tamanha participação feminina nessa etapa da vida. Elas estão descobrindo novos valores, vivendo intensamente, procurando outras chances no mercado profissional.

— Mesmo com tantas ocupações, os cuidados com a beleza e a boa aparência não ficam para trás — garante o cirurgião plástico Ruben Penteado.

A opinião do médico pode ser confirmada nas ruas, nas academias, nos escritórios, nas salas de aula. Cada vez mais, as mulheres envelhecem com saúde, disposição e beleza. Fisicamente, muitas sequer dão pistas da idade que têm. No comportamento, não é diferente: são ativas, produtivas e cheias de energia, longe do que se esperava dessa faixa etária anos atrás.

O principal aliado do bom envelhecimento, segundo os especialistas, não é uma ferramenta mágica que impede a passagem dos anos, mas, sim, os cuidados preventivos que postergam o aparecimento de doenças graves e debilitantes, mais comuns em idades avançadas. Além disso, a mulher que vai alcançando a terceira idade está mais consciente de sua importância social e aproveita essa autonomia para cultivar uma boa imagem. São pessoas que compreendem bem a passagem do tempo e sabem que jamais voltarão a ter uma aparência de 20 anos. Elas estão dispostas a melhorar o visual, sim, mas sem radicalismos, pois valorizam a sua própria história de vida. Têm filhos independentes, são economicamente ativas ou aposentadas com condições de viajar e aproveitar muito bem a vida.

Rita de Cássia: novo amor e novas aventuras 35 anos depois

O marido morreu aos 44 anos, de um ataque cardíaco. Rita de Cássia Lautert se viu sozinha, de uma hora para a outra, aos 43 anos, com três filhos. Pouco tempo depois ela conseguiu a aposentadoria e, durante vários anos, tratou de ser mãe em tempo integral. Quando eles já estavam crescidos, voltou a estudar (terminou o ensino médio), viajou e conheceu novos amigos. Um belo dia, reencontrou um antigo "rolo" da adolescência. Os dois estavam viúvos e, 35 anos depois do primeiro encontro, decidiram namorar e ficar juntos.

Com ele, Rita aprendeu a gostar de moto - espírito aventureiro ela já tinha. E hoje, qualquer folguinha estão na estrada.

— Ser motociclista com mais de 50 anos é uma vivência muito boa. Nós sabemos o que queremos, respeitamos a estrada e a velocidade — diz ela.

O casal, que faz parte do Motogrupo Gatos do Asfalto, formado por outros membros da família, está planejando uma viagem de moto até o Chile, para janeiro.

A idade, diz Rita, não atrapalha em nada:

— Me sinto jovem. Eu tenho um espírito jovem.

* Com Correio Braziliense

 

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