quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em Santos, projeto reduz em 86% mortes por atropelamento


Cidade tem há três meses, assim como SP, programa de conscientização.
Atropelamentos e feridos também caíram em comparação com 2010.
Carlos Giffoni Do G1 SP

Pedestres fazem sinal com a mão para atravessar

A cidade de São Paulo não é a única a adotar um programa de proteção ao pedestre para tentar reduzir o número de mortes no trânsito. Em Santos, no litoral do estado, a experiência, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) local, tem se mostrado extremamente bem-sucedida.
Há três meses, a cidade tem um projeto chamado de “Faixa Viva”, que orienta o pedestre a anunciar com a mão quando iniciará a travessia de uma via em que não há semáforo. Com isso, os condutores de veículos (carros, motocicletas e bicicletas) devem dar a preferência a ele. Em três meses, o número de mortes por atropelamento na cidade caiu 86%, de acordo com a CET.
Entre os meses de maio e agosto em 2010, houve 62 atropelamentos em Santos, deixando sete pessoas mortas e 63 feridas. No mesmo período deste ano, já com o projeto, tanto o número de atropelamentos como o número de vítimas caiu 13% - foram 54 atropelamentos e 55 feridos entre maio e agosto de 2011. Já o número de mortos passou de sete, em 2010, para apenas um.
O projeto foi colocado em prática em 10 de maio deste ano. “Diferentemente de São Paulo, que concentra as ações na rua, começamos com uma forte campanha publicitária”, diz Rogério Crantschaninov, presidente da CET da cidade. Segundo uma pesquisa da companhia com pedestres em Santos, foi verificado que cerca de 90% conhecem o “Faixa Viva”. Na capital, segundo a CET, o número é um pouco mais baixo: 61% dos pedestres dizem conhecer o programa de proteção ao pedestre, enquanto 77% dos motoristas afirmam saber do que se trata.
Artista alerta pedestres no Centro de São Paulo


“Notamos nas ruas que os próprios motoristas estão se tornando mais conscientes. Além de respeitarem os pedestres nas faixas sem semáforo, eles reduzem a velocidade e deixam um espaço maior para o motorista da frente”, diz Crantschaninov. “É uma questão de educação.”
Em Santos, cidade de 420 mil habitantes, os agentes da CET ainda não multam quem desrespeita as indicações, diferentemente da capital (que tem 11,2 milhões de moradores), onde a fiscalização foi reforçada desde esta segunda-feira (8).
Ainda assim, o resultado começa a ser visto em cidades vizinhas, como São Vicente e Bertioga. “Os motoristas e os pedestres que passam por Santos acabam levando esse hábito para as suas cidades. Isso também deve acontecer na Grande São Paulo, à medida em que esse comportamento se consolidar na capital”, afirma o presidente da CET de Santos.
A CET em São Paulo diz ainda não ter um levantamento sobre o número de pedestres feridos e mortos após o advento do projeto na capital. O único dado disponível é sobre os atropelamentos, que caíram 69% entre 11 de maio (quando as atividades de orientação do Programa de Proteção ao Pedestre começaram) e 11 de junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, passando de 13 para quatro atropelamentos. A expectativa é reduzir as mortes de 40% a 50% até 2012.

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